Pessoas relatam a experiência de terem vencido a Covid-19 em Feira, após um ano do primeiro caso

Neste sábado (06), faz um ano que foi confirmado o primeiro caso da Covid-19 em Feira e na Bahia. A nossa reportagem ouviu depoimentos de pessoas que enfrentaram e venceram a doença

Foto: Divulgação

No dia 06 de março de 2020, Feira de Santana recebia a confirmação do primeiro caso de pessoa infectada pelo coronavírus. Uma mulher de 34 anos fez uma viagem para a Itália e quando retornou testou positivo. Poderia ter sido apenas um caso suspeito, mas após confirmação, pessoas ligadas a ela também foram infectadas pelo vírus.

 A nossa reportagem ouviu depoimentos de pessoas que enfrentaram e venceram a doença em Feira.

Eteni Barbosa e o marido entraram para as estatísticas. Ela relata que a dor da doença, da distância, de não ter contato com pessoas que podiam lhe dar apoio, trouxe angústia, mas que a fé alimentou a sua alma e a oração lhe salvou.

"Não queria fazer parte dessa estatística, mas infelizmente eu e meu esposo fomos infectados em novembro de 2020, fiquei 21 dias em quarentena, porque após 14 dias o vírus ficou ativo no meu organismo. Meu marido durante esses 21 dias ficou internado na UTI em estado grave e durante esse tempo foi muito difícil, de muita dor porque não é permitido fazer visitas. A gente recebia os boletins por telefone e a angústia era muito grande, nunca vivemos uma dor parecida, de ter alguém distante com uma doença que não permite você estar ao lado da pessoa enferma, uma doença que não permite você consolar, mas gaças a Deus ele conseguiu vaga na UTI, e recebeu todo acompanhamento médico que precisava, e isso já faz parte do milagre. Eu sempre digo que meu marido é um milagre. No período de 69 dias que ele esteve internado, a fé alimentou a minha alma e me sustentou, pois em um tempo difícil desse, a fé é importante para poder suportar o distanciamento, o isolamento social e alimentar a esperança, além de nos dar força e através disso, eu consegui".

Deoni, marido de Eteni, comenta essa passagem na sua vida, depois de muita dor e das marcas que ficaram ele comemora por ter sido mais um que venceu a COVID-19.

"Hoje está fazendo cinco meses que o resultado deu positivo, no dia 9 de novembro de 2020 fui internado, saindo no dia 17 de janeiro. Foram 69 dias de luta, que lutei pela minha vida e onde passei por muitos problemas e muitos procedimentos. Tenho marcas no corpo até hoje, porque restou ás sequelas, tive atrofia muscular e tive que andar um pouco de cadeira de rodas, mas Jesus Cristo me resgatou no leito de morte e me deu novamente a vida e estamos aqui nos recuperando. A doença não escolhe quem pegar, ela pega todos, precisamos do isolamento social sim, precisamos tomar conta um do outro. Do jeito que a situação está hoje, temos que ter muito mais cuidado, um ano do primeiro caso na Bahia e infelizmente muita gente foi contaminada e continua sendo".

O mestre de cultura popular e idealizador do Reisado de Tiquaruçu, Asa Filho, conta que foram dias difíceis, mas até hoje está se cuidando para voltar a ter uma vida 100%.

"Não é uma gripezinha, a gripe você toma um chá, um analgésico e ela vai embora, a Covid deixa sequelas mesmo você curado, sequelas no pulmão, nos rins, no batimento cardíaco, na pressão arterial, e é preciso se cuidar de verdade. Eu mesmo que passei por isso, estou fazendo uma bateria de exames, mas graças a Deus estou vivo. Meus pulmões foram comprometidos com 75% cheguei à beira da morte, a vantagem é que não perdi a lucidez e apesar das sequelas e com tudo isso, estou sendo outra pessoa e agradeço a Deus por está vivo". 

Com informações do repórter Joaquim Neto

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