ELE NÃO DESISTE

Foto: Divulgação

Faz tempo que não tenho falado sobre a distinta figura do Sergio Moro. Não porque não seja notícia, mas porque sempre o vi como uma pessoa irrelevante, merecedora de esquecimento, uma vez que representa o lado ruim daqueles que operam o Direito. A sua insignificância intelectual e a vergonhosa atuação como magistrado não me chamam mais atenção.

 

Mas diante das notícias a seu respeito vinculada nos últimos dias, merecem ser comentadas e desnudar o tipo de pessoa que é. Não pelo seu português ruim, porque isto já se encontra na esfera da galhofa. E nem também a sua atuação como juiz e ministro da justiça que conseguiu ser senão o pior a passar pelo Planalto, e olha que a concorrência é dura, um dos piores. Favorável a pautas contrárias a Constituição Federal, no caso a prisão em segunda instância, - que também não é surpresa que a defenda -, afinal, ler e seguir o texto constitucional nunca foi sua principal plataforma, nem como juiz ou ministro de estado.

 

E não é que voltou a ser manchete com o seu novo emprego?

 

Agora o ex ministro da justiça e ex juiz federal assumiu na condição de sócio da empresa americana Alvarez & Marsal, a mesma que atua no processo de recuperação judicial da Odebrecht. Vejam senhoras e senhores os valores morais e éticos que o sr. Moro carrega. Como juiz titular da 13º vara federal de Curitiba em parceria com seu amigão do peito, o procurador da república Deltan Dallagnol, engendrou em nome esmerado espírito público o combate a corrupção e se portando como os últimos bastiões salvadores da república brasileira. Para tanto combinaram escolha de testemunha, orientou o MPF como fazer petição, escolher procurador para atuar nas audiências, condenar um ex presidente da república sem provas, no caso Lula, enfim, tudo aquilo que não está dos códigos de conduta e ne lei. Mas a horda de puxa sacos e babões, aplaudiam de forma entusiasmada, afinal nunca antes na história deste país, tantos figurões foram presos. O devido processo legal e seguir a constituição é coisa irrelevante e menor, afinal estava limpando a sujeira que a política impôs aos pobres brasileiros.

 

Sem nenhum pudor, o juiz herói, ainda na condição de magistrado aceitou ocupar um cargo político no poder executivo, para aquele que ajudou eleger através de seu trabalho incansável na Lava Jato. O suprassumo da ciência jurídica, uma vez aboletado no cargo de ministro da justiça começou a atribuir para si conquistas de coisas que nunca fez. Entre elas dizer que diminui o quadro de violência no Brasil. Lembrando que os dados eram de 2018 e ele tomou posse em 2019. Tentou sem sucesso aprovar o excludente de ilicitude, que seu chefe derrubou e sem nenhum pudor, lançou campanha para prisão em segunda instância. Mas era endeusado como um grande jurista. Mas na verdade seu conhecimento é tão profundo como uma poça de água no asfalto.

 

Perdendo espaço no governo federal, pediu exoneração do cargo, que seu chefe aceitou sem pestanejar. Desempregado ficou vagando ali e aqui e vez por outra emitindo opinião que reforçam o seu espirito de extremista de direita, através das redes sociais. Uma vez advogado, nenhum escritório de advocacia de primeira linha, pelo que se saiba, o chamou para trabalhar. Talvez a explicação seja a forma como desrespeitava as prerrogativas dos advogados, o seu conhecimento raso sobre o Direito, somado com o português de estivador do cais. Por tais qualidades, não encontrou emprego.

 

E de repente, mais do que de repente, aparece como sócio de um escritório americano que tem entre clientes justamente as empresas que ajudou a quebrar com a Lava Jato, entre elas a Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão. Só a Odebrecht, ainda na Lava Jato realizou a delação premiada de 70 executivos da empresa. O distinto ex juiz, inclusive é detentor de inúmeras informações sigilosas dos processos, que a força tarefa briga para não divulgar a PGR. Agora, sem a menor cerimônia aceita a condição de trabalhar para a empresa que atuava nos processos que julgava. Estupefaciente. Nas democracias mais avançadas seria caso de prisão. Em Pindorama, ao que parece, não há nada demais em ter estas condutas.

 

O distinto disse que não vai atuar como advogado, mas na área de “Disputas e Investigação” da Alvarez & Marsal. Ele nunca se apresentou como advogado, nem nesta contratação. Aliás ele sempre demonizou a profissão. E os exemplos para isto são muitos. Pois é caros amigos, são estes valores morais e éticos do sr. Moro. Ele não teve um mínimo de pudor em aceitar o cargo oferecido pela empresa americana. Isto é o que há de mais abjeto da imoralidade. Ele vai ser remunerado em razão dos pagamentos das empresas ao qual ajudou a afundar juntamente com a trupe de salvadores da pátria do MPF. Ele não vê mal nenhum em dar “aconselhamentos” aos grupos empresariais, que com sua caneta de magistrado prendeu seus diretores, presidentes ex presidente da república. Lembrando que na lava Jato prendeu, autorizou quebra de sigilo bancário e fiscal e promoveu condução coercitiva, em pessoas que cometeram atitudes muito menores do que esta que é a sua contratação para uma empresa que defendia os réus dos processos sob sua condução quando era juiz a pouco mais de dois anos. Indecente.

 

Aproveito para revelar uma situação que demonstra como age e pensa o guardião do nada e é o retrato fiel da pessoa Sérgio Moro. No processo envolvendo tríplex de Lula, a Alvarez & Marsal, defendendo a OAS, apresentou petição nos autos provando que o imóvel não pertencia ao ex presidente da república. O então juiz Moro ignorou e não acatou as razões apresentadas pela empresa. Hoje trabalha para ela. Enfim, Macunaíma.

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