OS DELÍRIOS DE NAPOLEÃO

Foto: Felipe Vellozo

É impressionante a capacidade de dizer besteira sem refletir ou apresentar provas consistentes do que fala. Falo do presidente Bolsonaro que no dia de ontem voltou a soltar sua metralhadora giratória de impropérios que somente um tarado das ideias dá crédito às suas falas. Vamos então a elas.

 

Primeiro disse que tinha informações seguras que houve fraudes na eleição americana, chegando a dizer que justiça eleitoral americano estaria apurando. Não sei de onde tirou tão tresloucada afirmação. Os seus “informantes” deveriam ter dito ao presidente que não existe nos EUA um tribunal que acompanha e disciplina as eleições. Cada estado e cidade define as regras eleitorais. Segundo, não se apresentou uma só prova de houve fraude, na qualidade de presidente da república deve apresentar as provas. O Trump, aquele sujeito que foi defenestrado da Casa Branca, perdeu todas as ações judiciais que ingressou questionando a lisura da contagem de votos. Volto a repetir. Perdeu todas as ações judiciais. Foram em torno de um pouco mais de vinte. Em Wisconsin inclusive a recontagem ainda acrescentou a Biden mais votos.

 

Em entrevista ontem para o canal de televisão da Fox, que inclusive apoiava de forma incondicional, apesar de se afastar do presidente americano nos últimos meses, Trump reconheceu que é muito difícil levar a discussão das eleições para a Suprema Corte. E isto é verdade. A corte máxima dos EUA não aceita qualquer processo. Eles somente escolhem ações que podem comprometer a constituição federal deles. E até agora não há nada e nenhuma evidência de fraude. A conversa do Trump é justamente para criar um clima de bagunça e com isto ficar em evidência e assim tentar subverter o resultado eleitoral. Comportamento típico de um tiranete de quinta categoria.

 

O presidente brasileiro, e ao que me consta, foi o único no mundo a emitir opinião de fraude no processo eleitoral americano. Não tenho lembrança de nenhuma autoridade mundial que afirmasse isso, nem hoje e nem no passado. Não compete a um presidente da república emitir opinião sobre processo eleitoral de outro país e pior ainda, afirmar que houve fraude. Mas na ótica dele e de sua trupe não vê nada demais. Como o presidente é uma mente vazia, é preciso lembrá-lo que ele vai ter de conviver, pelo menos diplomaticamente com o futuro presidente americano. Fico imaginando em uma reunião internacional como se portará o presidente Bolsonaro ao lado de seu colega americano após ter alegado que a eleição americana há suspeita de fraude. Pago para ver e assistir.

 

Outra coisa sem nexo e não se enganem caros amigos, é a velha tática do discurso que devemos ter a volta do voto impresso. Começa a se desenhar a cantilena de que o sistema eleitoral brasileiro não merece confiança. O argumento falacioso se sustenta na conversa de que não tem como confiar na contagem eletrônica. Apenas como nota de esclarecimento, desde 1996 não se tem histórico de fraude ou coisa semelhante que comprometesse as eleição no Brasil, desde quando se adotou a votação e apuração de forma eletrônica.

 

Mas o fato de levantar suspeitas se constitui de método para desestabilizar o processo eleitoral e com isto tentar manter-se na crista do poder. Já disse aqui neste espaço que não há a mínima possibilidade de volta do voto impresso. E por diversas razões. Entre elas a dificuldade de se apurar uma votação com a enormidade de eleitores que temos e da forma como se dá o processo eleitoral. Além do que, a possibilidade de fraudes aumentarem de forma exponencial. Pois o problema não está na possibilidade de votar numa cédula de papel, mas na contagem. Hoje é inviável. E um dado que não pode ficar fora. O seu custo. Sairia muito caro promover as eleições com cédulas.

 

A ideia de haver uma urna que imprimisse os votos para os casos de verificação da contagem dos votos, também é inviável. Não se tem tecnologia confiável que possa dar segurança a impressão destes votos. E seu custo também seria altíssimo. Imagine em toda as urnas com uma impressora acoplada imprimindo votos e como seria feita esta apuração. Ninguém sabe.

 

Quando Bolsonaro afirma a necessidade da volta do voto impresso, presta um desserviço à democracia e põe em cheque as leis e o TSE. E se utilizando de suas palavras, não precisa bater no peito para dizer que as eleições no Brasil são seguras, é apenas uma questão de inteligência, coisa rara no Planalto. E não custa lembrar: ele na sua última viagem aos EUA ao conceder uma entrevista em Miami disse que tinha provas de que a eleição que garantiu seu mandato havia fraudes e que as apresentaria. E até hoje, meses depois nada trouxe. É mais uma bazófia, das muitas que costuma propalar. Já que ele afirma que tem provas, porque não apresentou ainda? Desafio a mostrá-las. E de uma em cem, não tem nada, é apenas mais uma mentira.

 

São estas falas descompromissadas que não podem sair da boca do presidente da república. Não ajuda, cria um clima de desconfiança sem sentido, afinal até a presente data não se tem por exemplo uma nota sequer de fraude nas eleições no Brasil. Todo tiranete que chega ao poder através de eleições, põe em dúvida o próprio processo eleitoral que o elegeu. É típico de quem busca neste discurso desconstruir os alicerces da democracia. Triste figura.

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