Com alta de 50%, número de jogadores da Série A com Covid-19 já soma 341 desde o início do ano

Quantidade de atletas infectados teve um aumento significativo em novembro e segue o mesmo cenário no Brasil, que registra aumento de casos em grande parte das cidades. Veja gráficos

Foto: Divulgação

Os clubes da Série A têm enfrentado um adversário invisível e que tem impactado diretamente nas escalações dos times a cada partida: o coronavírus. Desde a retomada do futebol, as equipes brasileiras passaram a seguir uma série de protocolos e recomendações para voltar com as atividades, mas isso não impediu que os atletas evitassem a contaminação pelo vírus.

O ge compilou todos os casos divulgados de jogadores positivos para coronavírus, independentemente do nome do atleta ter sido revelado ou não. Vale destacar ainda que nem todos os clubes anunciaram todos os casos positivos no elenco. Feita a ressalva, os clubes da Série A já acumulam 341 casos divulgados desde o início das testagens, realizadas a partir de maio e junho.

Em parceria com o economista Bruno Imaizumi, a reportagem comparou os casos de Covid-19 nos elencos da Série A com a média móvel de infectados no país, com base em dados do Ministério da Saúde.

O que pode-se observar é que o número de positivos no futebol acompanha o cenário no Brasil. Vale fazer uma outra ressalva: houve um grande número de casos divulgados em maio e junho. Porém, os clubes relataram que muitos jogadores já estavam recuperados da Covid-19, sem determinar exatamente quando tiveram a doença. Logo, a concentração de casos em maio e junho não reflete 100% a realidade da cronologia dos infectados neste período.

De acordo com o Imperial College, de Londres, no Reino Unido, a taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) para esta semana no Brasil é a maior desde maio. O relatório mostra que o índice está em 1,30. Isso significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 130 pessoas.

Esta transmissão em alta no país também teve reflexo direto no futebol brasileiro. Em outubro, o número acumulado de casos positivos era de 227. Em novembro, houve um aumento de 50%, com 114 novos casos divulgados neste mês até o momento.

O presidente da Comissão de Médicos da CBF, Jorge Pagura, disse que foi feito um comunicado aos clubes para reforçar a necessidade de seguir o protocolo ao notar um aumento de casos no país no começo de novembro.

Nas últimas semanas, houve surtos de casos no Athletico-PR, no Atlético-MG, no Coritiba, no Palmeiras e no Santos. Outros clubes, como Goiás, Flamengo, Fluminense e Vasco também tiveram contágios grandes em intervalos curto de tempo.

De acordo com estudo divulgado pela CBF, não há evidências de que a transmissão tem ocorrido dentro de campo. Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Dr. Alberto Chebabo, o problema é todo o ambiente que envolve o futebol.

Entre os 341 casos positivos para Covid-19 divulgados nos times da Série A em 2020, Vasco, Flamengo, Corinthians, Goiás e Palmeiras foram as equipes mais impactadas com desfalques nas partidas por causa do vírus. Só o Cruz-Maltino teve, até o momento, 43 atletas infectados. Ou seja, quase todos do elenco já testaram positivo alguma vez.

No confronto da última quinta-feira contra o Defensa y Justicia, o Vasco não teve 10 jogadores à disposição por causa do coronavírus. Outro clube carioca que teve muitos problemas foi o Flamengo, que chegou a pedir adiamento do jogo contra o Palmeiras no fim de setembro por causa do número grande de desfalques para o confronto da rodada 12.

Dois meses depois, foi o Palmeiras que teve surto de Covid-19 no elenco e só pôde contar com 13 atletas do profissional à disposição para enfrentar o Goiás na rodada 22. Na abertura do Brasileirão, o Esmeraldino confirmou 10 atletas positivos horas antes de enfrentar o São Paulo e teve jogo adiado em cima da hora.

Ou seja, os clubes passaram por maus bocados desde que a pandemia começou porque os exemplos de casos positivos são recorrentes, principalmente neste mês de novembro com aumento de contaminados pelo vírus em vários times. 

No início das testagens, em maio e junho, os métodos de avaliação e diagnóstico de jogadores com Covid-19 eram diferentes dos atuais. Por isso, os médicos suspeitam que alguns destes atletas eram, na verdade, falsos positivos para o vírus.


Informações GE

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