CANUDOS EM CORDEL - XIII

Foto: Divulgação

Comandados por Pageú
Valente, tranquilo e forte
Vencera muitos combates
Pelas catingas do norte
Aos penitentes dizia
Tenha calma minha gente
Eles lá vão ver a morte.

No fogo, Moreira César
Avistando aquele vulto
Pela estrada do Uauá
Disse pra seus fuzileiros
Proferindo palavrão
Apontem pr’aquele cabra
Que quero vê-lo no chão.

A fuzilaria ecoou
Em busca da precisão
Mas quando a poeira passou
Viram o jagunço em ação
Ordenou Moreira César
Eu quero dele a cabeça
Dêem dois tiros de canhão.

Quando a fumaça subiu
O fantasma do sertão
Estava olhando Canudos
Zombando do batalhão
O coronel embrabeceu
E um cachimbo acendeu
Com artifício de mão.

Depois de usar seu binóculo
Passou-o para os coronéis
Disse, tem corpo fechado
É fantasma de Moisés
Esse Antônio Conselheiro
Parece ser feiticeiro
Com seu grupo de fiéis.

E quando o sino tocou
Fizeram longa descarga
Moreira César ordenou
E sua ordem foi amarga
Apontando sua luneta
Vamos tomar a baioneta
Soldado, previna a carga.

A polícia da Bahia
Que conhecia o arraial
Decidiu tomar de assalto
Com tamanha iniquidade
Fosse com tiro ou punhal
Mulher se defendia a foice
Tombando sem piedade.

Se aproximando do rio
Deram um alvo perfeito
Todos que tinham galão
Levaram tiro no peito
O César que era gaúcho
Tomou balaço no bucho
Recuar era único jeito.

Mandou tocar retirada
E soube no Alto do Mário
Ter perdido mais da metade
Sendo triste o seu diário,
A força era um só desalento
Pois metade do armamento
Estava em poder contrário.

Morreu Moreira César
Lá pras duas da madrugada
Correram perdendo tudo
Armas, tropa e boiada
Tamarindo e Salomão
Que defendiam o canhão
Morreram na beira da estrada.

Os soldados que escaparam
Foram só os que correram
Por se embrenharam no mato
Alguns as onças comeram
Também surgiam feridentos
Sem fardas e sem armamentos,
Ou só restos apareceram.

Tomaram todo armamento
Víveres e munição
E espalharam o boato
Que Rei Dom Sebastião
Chegara em Belos Montes
Transformando água das fontes
Em leite e as pedras em pão.

Surgia de todos estados
Gente para o Conselheiro
Armas, víveres e santos
Trazendo burros cargueiros
Vinha pessoal que era rico
Que enchia até pinico
Para conduzir seu dinheiro.

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