CANUD0S EM CORDEL - XII

Foto: Divulgação

Embarcaram a Infantaria
E saltaram em Queimadas
Poucos jovens voltariam
Atingidos nas estradas
Caídos pelas esquinas
Com tiros de carabinas
Que saíam de emboscadas.
 
Essa triste expedição
Rompeu o sertão baiano
E chegou a Monte Santo
Também com outro tirano
O coronel Tamarindo,
Dizia o dever ir cumprindo
Mas levava desengano.
 
Quase mil trezentos homens
Compunha a expedição
Ia da força paraibana
O capitão Salomão,
De Pernambuco o Flores
De quem se ouviam rumores
Em dez léguas do sertão.
 
Seguiu com os militares
Um grupo de engenheiros
Chegando ao arraial do Cumbe
Rumaram pelo tabuleiro
Pra se livrarem da serra
E da gente do Conselheiro.
 
Prenderam o velho padre
Para dar informação
E levaram pra Canudos
Montado num alazão
Com sede, fome e agonia
Rompiam a travessia
Daquele inóspito sertão.
 
Na quarta-feira de cinzas
Dormiram numa fazenda
Esperando ter encontro
Em dia bom pra contenda
Mas César mesmo doente
Com toda a sua oferenda
Quis rezar missa presente.
 
 
Missa de corpo presente
Na intenção do Conselheiro
Pra morrer naquele dia
Com todos seus companheiros,
O Padre trocou as botas
Rezou para aquela tropa
Morrer toda no oiteiro.
 
O Padre foi libertado
E a força formou fileiras
Mas no riacho da Pitomba
Caíram ante as trincheiras
Morreram seis do esquadrão
O resto pelo sertão
Voltaram todos às carreiras.
 
Os combatentes sulistas
Não conheciam os espinhos
Houve estranheza geral
Não saindo dos caminhos
Xique-xique e outros cardos
Furavam farda e soldados
Que ficavam em desalinho.
 
 
Deram ordem de acelerar
E já no morro da Favela
Municiaram os canhões
E atiraram nas capelas
Nenhum tiro devolviam
Parecendo que dormiam
Sem ter sequer sentinela.

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