CANUDOS EM CORDEL - XI

Foto: Divulgação

Chegaram em Salvador
Trazendo algum armamento
Perderam muitos soldados
Quase acaba um regimento
O governador Luiz Viana
Mandou à caatinga baiana
Fazer novo alistamento.

E nas Lavras dos Lençóis
No centro dos cangaceiros
Mandou alistar os bandidos
Pagando muito dinheiro,
A criminosos deu perdão
Para seguir pro sertão
E acabar com Conselheiro.

Pediram logo o auxílio
Do governo da União
Pra defender a República
Embarcando um batalhão
Munição e artilharia
Para reunir na Bahia
E seguir para o sertão.

Alistaram um batalhão
Nas Lavras Diamantinas
E do Alto São Francisco
Até as fronteiras de Minas
Homens rudes dos estados
Que não conheciam os lados
Nem manobrar carabinas.

Presidente da República
O Prudente de Morais
Telegrafou aos batalhões
Do Maranhão ao Goiás
E aos sertões dos botocudos
Disse que o arraial de Canudos
Queria perturbar a paz.

Antônio Moreira César
Coronel no Mato Grosso
De vinganças sanguinárias
E seu gênio de destroço
Pois em Santa Catarina
Foi um mestre da chacina
Mandou vir para o reforço.

Sofria de epilepsia
Com fama do Satanás
Tanto matava na luta
Como matava na paz
Quando vinha a capital
Era um espectro do mal
Quedo, feroz e sagaz.

Foi dia de muito clamor
Quando saltou na Bahia
Desembarcando polícia
De linha e a cavalaria
Causou medo em nossa terra
Fazendo-a praça de guerra
Com tamanha artilharia.

Formou-se então na Bahia
Grupos jovens de estudantes
Ingênuos, foram iludidos
Principalmente os pedantes
Falavam em praça pública
Que iam defender a República
E voltariam triunfantes.

Viveram um dia de horror
Com a manobra do canhão
Chorava mãe pelos filhos
Também irmã pelo irmão
Muitos ofereciam serviços
Enorme era o rebuliço
Na garage da estação.

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