CANUDOS EM CORDEL - IX

Foto: Divulgação

Ao chegarem em Juazeiro
Procuraram a estação
Da grande estrada de ferro
Vendo nela salvação,
E chegando em Salvador
Soldado ia desertando
Pra não voltar ao sertão.
 
Depois de Uauá os jagunços
Tomaram certas medidas
Procuraram inimigos
Tirando deles a vida,
E reunindo boa frota
Mataram Antônio Mota
Sem lhe darem outra saída.
 
Queimaram muitas fazendas
Em toda sua vizinhança
De quem não ia a Belo Monte
Tinham isto por vingança.
E se alguém fosse profano
Ateu ou republicano
Obrigavam sua mudança.
 
Lá dentro da cidadela
Só falavam em monarquia
Dom Sebastião tá chegando
Para reinar na Bahia
A corte era Belo Monte
Quem não fosse logo a fonte
Depois não se aceitaria.
 
Muitos eram desordeiros
Criminosos e ladrões
Com clavinote no ombro,
Chuço, foice e munições
Chegavam dos estados
Alguns grupos de malvados
Fugitivos de prisões.
 
Forneciam armamento
A chefes de cangaceiros
Que punham os seus capangas
Às ordens do Conselheiro
E este aceitava contente.
Todo dia vinha gente
Trazendo arma e dinheiro.
 
Chegando se apresentava
Ao troncudo Pajeú
Um negro calado e feio
Era tipo cabuçu
O João Abade alourado
Sisudo e mal encarado
Era acalenta-tatu.
 
Depois iam apresentar
Ao barbudo Conselheiro
O filho bem escolhido
“Do Bom Jesus verdadeiro”.
Mandavam fazer uma prova
Depois iam ao Vila Nova
Pra lhe fornecer dinheiro.
 
Quando chegavam grupos
Ficavam na rua vizinha
Vinham ao encontro beatas
Cantando suas ladainhas
Ali ficavam em latadas
Até fazerem moradas
Construindo suas casinhas.
 
Diziam que em Canudos
Apareceu Satanás
Apoderou-se de mulheres
As tornando mais sagazes
Subiu em casas e igreja
Fez uma grande peleja
Dizendo coisa de mais.

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