CANUDOS EM CORDEL - VIII

E o Juiz logo correu
Passando pra Petrolina
Pois o maior caluniador
É sempre o mais mofina
O povo ficou assombrado
E foi para o outro estado
Com medo de sua ruína.

Ele pediu providência
Ao governador da Bahia
O Leoni telegrafava
Se ocupando todo dia
Suplicando a Luiz Viana
Que a Força Pública baiana
Viesse pra garantia.

Bem ciente o Conselheiro
Pois alguém lhe alertou
Que o governo mandaria
Um batalhão caçador
Cuidou em se prevenir
Para poder repelir
Esse seu perseguidor.

Mandou juntar salitre,
Enxofre, fazer carvão
E juntar os clavinotes
Que houvesse no sertão
Prego velho, seixo rolado
As trincheiras nos pelados
Bem como no boqueirão.

Mandaram o tenente Pires
Comandando um batalhão
Quando chegou em Juazeiro
Não havia gente mais não
Soldados sem disciplina
O povo em Petrolina
As ruas na escuridão.

Quem ficou em Juazeiro
Estava mesmo assombrado
Pediram então ao governo
Tendo o juiz concordado 
Que determinasse ligeiro
Prender o Conselheiro
E seu arraial arrasado.

De Juazeiro partiu a força
Por aquele sertão maninho
Com fome e sede, ao relento
Em veredas de espinhos
E sem sombras no sertão
Carregavam um matolão
Em seis dias de caminho.
Acamparam no Uauá,
E n’outro dia às matinas
Ouviram som de ladainha
Pegaram nas carabinas
Viram gente e estandarte
Dispararam bacamartes
Matando, foi uma chacina.

Deu-se um combate ligeiro
De foice, facão e chuço
Soldado que avançava
Era varado no bucho
O combate foi ruim
Armados de combleim
Custava mudar cartucho.

Tendo ambos recuaram 
Entraram no tabuleiro
Ficaram mortos na praça
Que só se via o piqueiro.
Voltaram atemorizados
Em dois dias os soldados
E chegaram em Juazeiro.

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