A FEIRA QUE VIVI - XVI

Foto: Divulgação

Retornando à avaliação sintética do processo de desenvolvimento de Feira, de base predominantemente rural para sua fase industrial, convém lembrar que foi Juscelino Kubitscheck que, com seu projeto de 50 anos em 5, no idos de1956, quem sacudiu o país para a interiorização da capital da República (Brasília) e para a necessidade de o país dar prioridade à implantação de indústrias, em especial no nordeste, único meio de desenvolver a região, libertando os nordestinos do grave problema das secas e do êxodo contínuo que havia em direção a São Paulo.

JK criou a Sudene em 1959, e a entregou ao economista Celso Furtado, entregando recursos do orçamento da União a fundo perdido, e consolidou o papel do Banco do Nordeste, implantado por Getúlio e Rômulo Almeida, como banco de desenvolvimento regional.

Na década de 60, teve início o processo de implantação de indústrias, com crédito facilitado e a cessão de áreas concedidas pelas Prefeituras para a sua instalação.

A primeira discussão em Feira foi sobre a localização do Centro Industrial do Subaé. Conquanto pareceres técnicos apontassem o lado oeste (poente) da cidade como a ideal, em vista da direção dos ventos, prevaleceram, no governo Luiz Viana, os interesses dos ricos proprietários feirenses de terrenos do lado leste (entre a BR 324 e o Tomba).

As consequências vieram com a implantação da Phebo e outras indústrias, que passaram a poluir a cidade. Em certos dias, era insuportável o ar que se respirava. Isto sempre acontece quando falta pressão popular para controlar os abusos e os interesses de grupos poderosos.

Um pouco antes, fora construída pela Urbis os conjuntos da Cidade Nova, etapas 1 e 2, em terrenos de um diretor da empresa, proprietário de chácara no local, vale dizer, centro habitacional do trabalhador de um lado da cidade, indústrias do outro, com consequências penosas para aquele (transporte, tempo perdido, etc.). Coisas do Brasil pela indiferença do cidadão comum.

Mas, as indústrias foram se instalando e com João Durval governador, o CIS se agigantou e com outras obras importantes que ele nos legou, em especial a água do rio Paraguaçu, houve grande impulso no progresso de Feira.

A Sudene foi extinta em 2001 face aos desmandos ali ocorridos, depois de briga entre os senadores Jáder Barbalho e ACM, o qual acusou aquele de desviar recursos para a esposa, e cujo imbróglio estourou no colo de FHC, história de todos conhecida.

A Sudene serviu de modelo para a Sudam, para o desenvolvimento da Amazônia.

Embora houvesse desvios de recursos, e tentativas de muita gente tentar virar industrial em Feira, a Sudene cumpriu importante papel no desenvolvimento do Nordeste e, particularmente, de nossa cidade.


Por: Pedro Cleto

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