FEIRA QUE VIVI - XIV

Foto: Divulgação

A eleição da nova Câmara de Vereadores, em 1970, levou o MDB a uma postura dinâmica, abrangente e de contato direto com o eleitor, agressiva até, dentro da legalidade permitida – o que redobrava, como se sabia - a vigilância de setores da segurança nacional.  

Por iniciativa do presidente do Partido e de seus colegas vereadores, embora minoria (5 em 13) passaram a fazer contínuas cobranças por obras e serviços públicos; e ele próprio passou a visitar semanalmente os distritos, indo de fazenda em fazendo promovendo contato pessoal com os moradores. Através da Rádio Sociedade de Feira, em programa transmitido aos sábados, eram tratados assuntos de cada local ou região e pleiteadas melhorias ao prefeito Newton Falcão.

O partido defendia as áreas verdes e institucionais, que vinham sendo ocupadas ilegalmente.

A proposta do MDB de Feira de criar, no Município, o Instituto de Preservação da Natureza, apresentada à Câmara, coeva ao Encontro de Estocolmo de 1971, que alertou a todos para a degradação do meio-ambiente, foi o primeiro projeto a tratar do assunto no mundo, embora tenha aqui sido rejeitado pela Arena.

O MDB fundou ou restaurou sindicatos (bancários, de construção civil e    de fumageiros); o partido ensinava, através de professor, OSPB (Organização Social e Política) nos Colégios São João Evangelista e São Francisco, no turno noturno, sem nada receber, em troca de bolsas de estudos a estudantes pobres e que trabalhavam durante o dia. Mantinha em salão mobiliado, e alugado a D. Rita Lustosa, na Av. Senhor dos Passos, cursos gratuitos para concursos que abriam, como os da Justiça (serventuários e oficiais de Justiça), dos Correios e patrulheiros rodoviários (PRF) e outros, conseguindo aprovar muitos candidatos. Em aulas de OSPB e nos cursos para concursos, ensinava-se também diferença entre democracia e ditadura, processo político, estado de direito e de fato, e tudo o mais que pudesse conscientizar os jovens. 

E entrou no esporte, no Bahia de Feira, com seus dirigentes Noide Cerqueira e Renato Sá e o próprio presidente do partido que alterou o nome e as cores do clube para Feira Esporte Clube, tendo essa denominação sido revertida anos depois por um adepto do E.C. Bahia que o sucedeu, sem bairrismo e contaminado pelo fanatismo e pelo hábito de copiar nomes de times de outras plagas – o que era e é comum na cidade. 

Os confrontos entre o Fluminense de Feira F.C. e o Feira E.C., tendo este formado time fortíssimo com craques contratados nos estados do nordeste, mobilizava os desportistas da cidade, deixando bem nítida a militância partidária (Arena e Fluminense x MDB e Feira E.C.).
E mais, o MDB autorizou aos juízes da comarca a remeterem as portarias de assistência judiciária gratuita ao advogado do partido, em época que não existia defensoria e que outros causídicos as recusavam.

Até a Euterpe Feirense veio para as mãos do MDB, com José Falcão da Silva.

Tudo dentro dos estritos limites da legislação permitida; mas, o fogo de monturo em Feira se espalhava cada vez mais... Só havia imprudência quando o presidente do Partido emprestava seu jeep, bem conhecido, aliás,  em fins de semana, para encontro clandestino de  certo grupo em uma chácara depois do km 7, antes da entrada de São José...

Assim, todas as vias políticas, eleitorais, educacionais, esportivas e sociais de Feira de Santana sofreram interferência e foram mobilizadas para ajudar o projeto de redemocratização do país. Tais ideias foram apresentadas pelo presidente do MDB local, no I Encontro Nacional do partido, realizado no Recife, em 1971, e foram bem recepcionadas, em cujo conclave foi lançada a proposta da Assembleia Nacional Constituinte.

O trabalho deu resultado. Em 1972, o MDB inverteu o resultado eleitoral dos anos anteriores, ao escolher prefeito (José Falcão) com a maioria dos vereadores, e invertendo a predomínio do eleitorado rural arenista, que se tornara naquele pleito majoritariamente emedebista.

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