OS MAUS BRASILEIROS

Foto: Divulgação

Em todo grupo social é comum haver pessoas que apresentem qualidades e por via de consequência outras que nem tanto. Nada de novo. Inclusive o que disse é um arrematado clichê. Mas o que me chama atenção são certos comportamentos e opiniões que após o vulto da internet tiraram das bolhas da mediocridade, pessoas que deveriam continuar onde estão, ou seja, na caverna de sua obscuridade. Mas os tempos são outros e não há como escapar de certos tipos que nos rodeia.

 

Muitas vezes, estas personalidades obscuras sejam nas ideias ou na forma como expressa suas opiniões mereceriam o nosso total desprezo. Fiz toda esta introdução para citar alguns fatos ocorridos na última semana que retrata com cores bem nítidas como seres irrelevantes tem tido projeção e sempre pelos maus motivos.

 

Primeiro falo da entrevista concedida pelo obscuro ministro da educação ao qual falou coisas absurdas. De tão erráticas que foi alvo de pedido de abertura de inquérito por parte do MPF. Disse ele lá pelas tantas que “que o adolescente que, muitas vezes, opta por andar no caminho do homossexualismo (sic) tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe. Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem de fato e caminhar por aí” Somente por estas palavras está tipificado a homofobia, em razão da decisão promovida pelo STF, que estendeu a aplicação da lei 7.716 que pune por crime de racismo a estas situações. Esta extensão interpretativa dada pela corte máxima do Brasil, se deu por que o Congresso Nacional não vota a lei que pune a homofobia.

 

Não pode uma autoridade que ocupa cargo tão importante de Ministro da Educação tenha estas ideias, digamos assim, tão reacionárias. O seu despreparo seja intelectual, seja gestacional na pasta que ocupa e isto não é uma crítica, mas uma constatação, não pode vocalizar preconceito tão asqueroso e ainda apontar a homossexualidade como uma opção, quando na verdade é uma condição humana. A sua resposta as críticas sofridas, só tornaram piores suas colocações. Diante disto, restou ao MPF abrir inquérito. E com base em crime de discriminação. Vai resultar em algo? Sinceramente não sei. Na minha experiência forense, seria surpresa se houvesse alguma condenação.

Quando digo que a equipe ministerial da presidência da república é a pior que já passou nos tapetes do Planalto, os fatos provam o acerto do que digo. É uma gente tão despreparada, incompetente, preconceituosa e oblíqua que não me causa mais espanto e não tem como comparar com os ministros anteriores.

 

Outro fato asqueroso e tão despropositado quanto a fala do ministro foi o espetáculo de arrogância ocorrido no último fim de semana no Rio de Janeiro e São Paulo e amplamente divulgado na imprensa. Na capital fluminense um cidadão resolveu desfilar seu carrão cafona com duas mulheres que se beijavam, quando uma delas foi atingida por uma garrafa de água jogada por uma outra mulher. Em razão disto, resolveu sair do carro para tirar satisfação com quem arremessou a garrafa. Ao voltar para o carro cafona,  o marido da agressora retira a força a parte de cima do biquíni da agredida. Conclusão da confusão. Todos, repito, todos estavam errados. O fortão dono do carro cafona nada tinha que fazer numa via de mão única onde todos estavam sem máscaras de proteção, a agressora se não gostou do que viu, não lhe dá o direito de arremessar qualquer objeto. O marido desta não podia agredir arrancando as vestes de uma mulher.

 

A outra situação se deu no restaurante Gero na cidade de São Paulo quando um cidadão que chega faltando dez minutos para o restaurante fechar exigiu uma mesa, quando na verdade todas estavam ocupadas. Insatisfeito, resolveu o valentão agredir a todos e partiu para o confronto arrumando briga e quebra-quebra. Lembrando que o sujeito brigão é dono de um dos grandes restaurantes de São Paulo. O ridículo disso tudo foi gritar que iria chamar o “seu delegado” para prender todo mundo.

 

Conclusão que se tira destas duas histórias. Temos uma parcela da classe média alta arrogante, ignorante e prepotente. Tais fatos é a demonstração cabal do ambiente que vivemos hoje no Brasil. Há um total desprezo por regras da civilidade e da boa convivência. A escolaridade dos envolvidos nas duas situações descritas são pessoas com nível universitário. Mas formação educacional não é o bastante para mostrar comportamento mais digno. Deveria, afinal a medida que ascende educacionalmente, os comportamentos deveriam ser mais civilizados. Mas esta máxima não funciona em terra brasilis.  Quando vemos os diversos extratos sociais terem condutas tão abjetas, que vão de um ministro de estado que fala barbaridades e tem aprovação de seu chefe, passando por pessoas ditas educadas se portando como bárbaros, vemos que este fenômeno de desprezo às regras mínimas de boa convivência, o velho ranço do “sabe com quem está falando” que persiste na sociedade brasileira e faz do Brasil um país que parcela do seu povo não se contente em respeitar o próximo, conviver com o contraditório e aceitar as diferenças. A sociedade polarizou-se, e ao que parece não vai se transformar tão cedo. Uma pena.

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