NUNCA SERÁ UM ESTADISTA

Foto: Divulgação

Na última segunda-feira em meu comentário apontei quais seriam os temas abordados pelo presidente da república na abertura da 75º Assembleia Geral da ONU. E o que foi dito, antecipei com acerto os temas abordados. Adivinhação. Não, apenas uma dedução em razão de como tem sido a postura da presidência no trato dos temas políticos.

 

Em comparação ao pronunciamento feito no ano passado na mesma ONU, o discurso foi um pouco melhor. O que não é um elogio, afinal aquele foi um desastre total. Não tinha como ter um discurso pior do a sua estreia em organismos internacionais. Mas falemos do de ontem.

 

No conjunto da obra o saldo foi ruim. Disse um bocado de informações sem nenhum amparo técnico e distorceu ou omitiu informações para posar de grande estadista, coisa definitivamente não é e nunca será. Em sua fala disse que repassou cerca de mil dólares a 65 milhões de brasileiros. Isto não é verdade. Pelo que já foi pago de auxilio emergencial, calculado pela média do dólar a soma não ultrapassa a 778 dólares por pessoa. E um pequenino detalhe, a iniciativa de promover o pagamento deste auxílio foi do Congresso Nacional, afinal o posto Ipiranga, que ocupa a pasta da economia queria que fosse pago o auxílio no valor de duzentos reais em três vezes e que os contratos de trabalho fossem suspensos e os empregados ficassem em casa sem receber qualquer salário. Ou será que estou distorcendo os fatos?

 

Em relação a pandemia o discurso de sempre. Diz que foi impedido pelo judiciário, no caso o STF de agir, quando na verdade apenas se cumpriu aquilo que está expresso no texto constitucional. A ação das políticas públicas de combate a pandemia é uma ação coordenada entre as três esferas de poder, quais sejam, federal, estadual e municipal, que no jargão jurídico significa competência concorrente. Se ficasse apenas na atuação federal, prevaleceria o desestímulo ao distanciamento social, o incentivo ao uso da cloroquina como apanágio de medicamento salvador contra o vírus, coisa que país nenhum do mundo adota, pois não há comprovação científica de que é eficiente contra o coronavírus. E não custa lembrar que o presidente Bolsonaro sempre enfatizou que o vírus era uma “gripezinha”.

 

Afirmou ainda que a criação do clima de pânico na sociedade é de responsabilidade da imprensa. Bem, quem acredita nisto, muito provavelmente já deve ter visto mula sem cabeça. Lembrando que os equipamentos médicos prometidos em grande parte nunca foram entregues. Além de termos um general na pasta da saúde que diz tudo.

 

Quanto ao meio ambiente, a coisa foi pior. Cantou loas que seu governo é um exemplo na preservação do meio ambiente. Veio com aquela velha narrativa que interesses escusos internacionais estão articulando o domínio e a exploração da Amazônia. Mas não diz quais são estes organismos e quais os países estão agindo desta forma. Afirma que as queimadas é um fenômeno natural e que é provocada por índios e caboclos. Quem acreditar nisto, relembro da mula sem cabeça que falei anteriormente. O desmonte nos órgãos federais de preservação ambiental e combate ao desmatamento é evidente. Dados do Instituto do Homem e do Meio Ambiente que coordena o sistema de alerta de desmatamento da Imazon afirma que o desmatamento da Amazônia no ano de 2020 foi 68%, maior em comparação com o mesmo período do ano passado. O pantanal bateu o recorde de queimadas este ano com 5.600 focos de incêndio. Um número três vezes maior que a média dos últimos anos. As causas destes números, segundo o INPE e da UFMG foram ocasionados por apropriação de terras em larga escala por fazendeiros clandestinos, e nunca por índios ou caboclos.

 

Como já disse, tudo isto é acelerado pelo desmonte da estrutura de fiscalização do ministério do meio ambiente, tendo à frente um ministro campeão da incompetência e a não utilização do orçamento para atuar na defesa do ecossistema brasileiro. Aproveitou ainda o palanque para afirmar que a Venezuela foi responsável pelas manchas de petróleo que atingiram o litoral brasileiro. Até hoje após inúmeras investigações não descobriram de onde vieram e quem foi o responsável pelo o derramamento de óleo em nosso litoral. Lembrando que a marinha encaminhou m relatório a polícia federal sem aponta os responsáveis e se foi uma ação criminosa. E para ilustrar, um grupo de 25 cientistas do Brasil, Espanha e Itália publicaram um artigo numa revista científica internacional que não tem como comprovar que o óleo derramado é de origem venezuelana. E ainda aproveita para fazer proselitismo afirmando que o nosso vizinho é uma ditadura o que é verdade, mas presidente da república o sempre defendeu a ditadura chilena e também a brasileira.

 

Enfim, o discurso de modo geral foi ruim, mas um pouco melhor do feito no ano passado. Obviamente não deixou de lado a bajulação e a sabujice com o presidente americano. Quanto os dados descritos, não foram comprovados e nem de onde tirou os números que embasam sua fala. Para o público internacional ninguém o leva a sério. A imprensa internacional desvelou todos as suas assertivas, uma por uma. As demais autoridades nem deram bola pelo o que foi dito pelo presidente da república. Nem uma nota sequer. O que mostra a irrelevância que o mandatário do Brasil ao redor do mundo. Quanto ao público interno, somente seus prosélitos acharam que foi um grande discurso.  A conclusão se tira, fazendo a prova dos nove, é como o Brasil está desgastado internacionalmente em razão da pauta destrambelhada adotada pelo governo federal, com perspectiva de piora, infelizmente.

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