Diante de pandemia e aumento de casos de ansiedade, Luiz Felipe Pondé lança obra sobre o tema

A obra não foi idealizada em função da pandemia, mas vem sendo usada como apoio para casos do transtorno. No livro, a pandemia é retratada como um grande evento da vida saindo do controle.

Foto: Divulgação

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, a ansiedade vem sendo diagnosticada e intensificada em um maior número de pessoas, em função dos efeitos causados pelo período de isolamento social, restrições de circulação, instabilidade financeira e incertezas dos desdobramentos da doença no mundo.

O filósofo e escritor brasileiro, Luíz Felipe Pondé, lançou recentemente a obra ‘Você é ansioso?’, que apesar de ter sido lançada no começo do isolamento social no Brasil e contribuir positivamente para o entendimento dos casos de ansiedade durante este período, não teve relação com o fato.

'O projeto do livro, eu comecei a escrever no final do ano passado e seria lançado no final do primeiro semestre, mas no começo da pandemia, lá em março, a vida meio que parou e eu acabei terminando o livro antes da hora. E claro que eu assimilei um capitulo sobre a experiência da pandemia, falo sobre ela na introdução, mas o livro foi mantido sobre a execução da ansiedade no mundo contemporâneo', afirma o escritor, em entrevista ao Bom Dia Feira, na manhã desta quinta-feira (27). 

De acordo com Pondé, o livro foi pautado na existência da ansiedade sendo gerada a partir de determinados marcadores sociais.  A pandemia é retratada no capítulo final da obra e é mostrada como um grande evento da vida saindo do controle. 

'A pergunta é: como o nosso modo de viver hoje, gera ansiedade? Esta é a pergunta do livre. Sabemos que a ansiedade brota a partir do momento que a gente somos lançados a querer controlar as diversas variantes da vida. São tantos vínculos sociais e institucionais que demandam de nós uma capacidade de controle, que a ansiedade aparece exatamente quando a gente percebe que não vai ter controle disso tudo', conta. 

O filósofo destaca ainda que, os casos do transtorno de ansiedade, em relação a faixa etária, vêm sendo mais desenvolvidos principalmente entre os jovens e idosos. 

'No livro eu falo especificamente de ansiedade dentro de vários segmentos, o capítulo mais longo fala sobre a ansiedade nos jovens. Eles são mais inseguros, se ofendem mais facilmente, são um segmento especificamente afetado pela ansiedade, o mundo espera tudo deles, mas eles não sabem nem a identidade que tem, em muitos casos. Já os idosos, vivem mais, mas vivem em solidão, cada vez mais são excluídos do mercado de trabalho mais rápido. Mas também há a ansiedade das mulheres emancipadas de lidar com várias frentes de trabalho, ansiedade dos homens em relação a mudança no comportamento das mulheres', relata. 

Para ele, o período pós-pandêmico será marcado por dificuldades financeiras e marcas de ansiedade ao longo de todo o processo de imunização contra a doença. 

'Em cinco anos, ninguém lembrará da pandemia, as pessoas que perderam pessoas, claro que vão lembrar. Esse período do pós vai ser crise econômica, empobrecimento, aumento de trabalho home office, mas o mais significativo está relacionado à área de trabalho produzido via tecnologia remota, educação híbrida e coisas assim. A ansiedade relacionada a pandemia, acredito que continuará ativa até ao longo do processo de vacinação', ressalta. 



Assista a entrevista na íntegra:
 

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