A CULTURA DE ALMANAQUE

Foto: Divulgação

Esta estória já contei aqui neste espaço e volto a conta-la. Meu pai quando ouvia uma estória ou notícia sem fundamento me saia com a seguinte pergunta, não deixando de transparecer a sua incredulidade naquilo que ouvia e dizia em tom sarcástico: “Em que almanaque você leu isto? ”.E hoje quando ouço e leio certas declarações vindas de quem no mínimo deveria ter responsabilidade com aquilo que fala, pois, ocupa posição de destaque, deveria ser informar mais e melhor antes de ficar propalando notícias erradas e sem o embasamento mínimo.

 

Quando vejo a maior autoridade do Brasil, no caso o presidente Bolsonaro, em suas declarações seja naquela live capenga que insiste transmitir todas as quintas-feiras ou quando é chamado a falar, seja em entrevistas ou no puxadinho da Alvorada, ele consegue colecionar uma enormidade de informações erradas e sem nenhuma base científica ou que possa ser comprovada pela realidade dos fatos.

 

Não vou aqui falar de sua insistência ridícula de propagandear o uso da hidroxicloroquina como remédio salvador do combater ao coronavirus, já tem gente ignorante demais defendendo seu uso. E de tão patética e desarrazoada a sua defesa que não merece qualquer comentário. Aliás o mundo civilizado já não dá mais bola para isto. Pessoas inteligentes não dão crédito as suas inventivas. Mas o que me apraz é a sua total incapacidade de estudar antes de emitir opiniões sobre assuntos que não domina. Pensando bem, ele não sabe nada de nada, quiçá ler ou estudar sobre assuntos de sua responsabilidade.

 

O vazio das declarações do presidente da república é verificado quando ele tenta convencer ao dar os números sobre a situação ambiental do Brasil e do mundo. São coisas tão sem sentido e erradas que nem o mais fanático defensor de suas ideias acredita. Na sua live capenga das quintas-feiras, em especial a da última semana, foi um cipoal de dizeres errados e sem sentido. E quais foram? Então vamos a eles com a devida confrontação com a verdade.

 

- A Amazônia tem área maior que a Europa. Mentira. O presidente não frequentava às aulas de geografia, o professor deveria ser comunista. Se tivesse deixado a ideologia de lado e ido as aulas, saberia que a Europa tem 10 milhões de quilômetros quadrados e a Amazônia pouco mais de sete milhões de quilômetros quadrados, numa área que envolve nove países. Portanto ela é menor que o continente europeu.

 

- A Europa não tem florestas. Mentira. Estou começando a achar que o professor de geografia da escola que o presidente frequentava, dava aulas de camiseta com a foto de Che Guevara, o que forçava ele a faltar as aula, daí seu completo desconhecimento. Só a Alemanha tem 33% de sua área coberta por florestas com mais de 90 bilhões de arvores nativas. A França 27% do seu território. A União europeia tem 37,59% de seu território coberto por florestas. É melhor estudar presidente. E antes que me detonem, todos estes números são do Banco Mundial.

 

Outra mentira dita são de que as queimadas são provocadas por índios e caboclos que habitam a floresta amazônica. Ele não deu nem o trabalho de ler os relatórios do seu ministério do meio ambiente.  As queimadas detectadas por satélites apontam que o fogo tem origem e propagação pela ação de garimpeiros e madeireiros ilegais que o presidente da república faz vista grossa. Mas tem besta que acredita nestas lorotas.

 

O descaso presidencial com o meio ambiente, reforçado pelo mais incompetente ministro do meio ambiente do mundo, já está trazendo impactos a economia brasileira. Os mercados não mais compram produtos e serviços de ´países que destratam o meio ambiente. Nós que temos como mola mestra da economia o agronegócio, sentirá o impacto da desaceleração de suas vendas. Esta estória imbecil de que querem internacionalizar a Amazônia é tão verdadeira como a existência do curupira, é melhor achar outro argumento. E se nada for feito nas mudanças de postura, teremos uma redução significativa nas exportações. E recuperar o mercado do agronegócio leva décadas.

 

O Brasil já deixou de receber recursos da Alemanha e da Noruega para aplicação no meio ambiente. Os grandes grupos financeiros mundiais enviaram uma nota ao governo brasileiro reclamando da forma como é conduzida a política ambiental. Os sinais já foram dados. Resta entender o recado. A coisa é tão séria que vou aqui contar uma estorinha. No último encontro de Davos, na Suíça, os maiores bancos e empresas do mundo fizeram uma reunião a portas fechadas com o Ministro Guedes da economia. Os mais ricos pressionaram de forma dura e incisiva contra política ambiental do presidente Bolsonaro. Assustado com o que ouviu, imediatamente ligou para o presidente da república que estava no Brasil e contou o que ouviu. No dia seguinte Bolsonaro noticiou através das redes sociais, para variar, a reativação e mudanças do Conselho da Amazônia, tirando o órgão do ministério do meio ambiente, passando o comando para o vice-presidente Mourão, como forma de acalmar os mercados internacionais. O estranho foi afastar os governadores da região Norte desta comissão. É como se a sogra chegasse na casa do genro e dissesse quem vai comandar a casa seria ela. Mas neste governo é assim, quando tenta acertar, erra mais ainda.

 

Desta forma amigos, são estas coisas ditas pelo presidente sem nunca procurar se embasar em fontes seguras que expressa suas falas sem pé nem cabeça. Desinformando, e defendendo posições que somente celerados acreditam.

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