Criatividade é a sobrevivência para os clubes

Foto: Divulgação

O futebol retomou suas atividades com os times cheios de dificuldades. Por conta da pandemia do novo coronavírus, foram mais de 3 meses de paralisação no futebol brasileiro e isso teve um impacto financeiro enorme em todos os clubes. Exemplo disso é o Santos, que está com muitas dificuldades para pagar as contas, e já perdeu um dos seus principais jogadores, o venezuelano Soteldo, que conseguiu o direito de reincidir o contrato na justiça, devido os atrasos no pagamento de salários por vários meses seguidos. Ontem, assinou contrato como novo reforço do Grêmio. O goleiro Éverson também tem tentado reincidir com o clube na justiça, e empresários de outros jogadores têm oferecido eles a outras equipes. Em menor proporção, o Atlético Mineiro também enfrenta situação semelhante. A verdade é que a dificuldade é enorme para todos, e será praticamente impossível atingir a projeção de arrecadação financeira projetada por cada clube para a temporada 2020.

O problema é que todo o orçamento de gastos dos clubes para a temporada é feito com base nessa projeção financeira, e agora, para chegar próximo dessa projeção e honrar os compromissos, os clubes precisam se virar. Para buscar saídas, o único jeito é usar a criatividade. E para não dizer que tudo é desastre, temos bons exemplos.

O Fluminense resolveu repatriar o atacante Fred, veterano e com o rendimento em campo questionado na última temporada, mas com uma imensa identificação com o torcedor do tricolor carioca. O clube viu na volta de um ídolo, a possibilidade de lucrar com isso. Aí o departamento de marketing entrou no jogo, e com a ajuda do jogador, que ‘comprou a briga’, deu tudo certo. A quantidade de sócios do clube aumentou como nunca, e as mensalidades pagas por eles estão ajudando o Fluminense a recuperar parte do prejuízo que a pandemia lhe impôs.

Aqui na Bahia, os clubes também têm utilizado a criatividade para tentar uma volta por cima em relação às suas finanças. O Bahia, muito ativo na internet, resolveu monetizar todo o conteúdo produzido pelo seu setor de comunicação, profissionalizando ele. Criou-se o ‘Sócio Digital’. O torcedor paga uma mensalidade para ter acesso a conteúdo exclusivo todos os dias, como transmissão ao vivo dos treinos, entrevistas exclusivas, vídeos de bastidores, programas de rádio e em vídeo diários, entre outras coisas. Gerou-se uma fonte de receita que o clube não tinha, e também deverá, em médio prazo, ajudar a pagar as contas. Já o Vitória, anunciou que não renovará o contrato com sua fornecedora de material esportivo, e criar uma marca própria, como já tem sido feito por outros clubes brasileiros. Resultado: é possível que ainda esse ano, o clube lance alguma coisa, e se os novos uniformes saírem logo, a rentabilidade sobre a venda das camisas deverá ser bem maior.

E a já que o termo está na moda, o ‘novo normal’ do futebol brasileiro não é só a ausência de público e o protocolo de proteção em relação ao novo coronavírus. É também, e principalmente, sobre reinvenção.

Compartilhe

Deixe seu comentário