Por aí, a vida vai se 'normalizando'. Por aqui, tá difícil

Foto: Divulgação

Recentemente, fizemos um ‘giro pelo mundo’, no programa Linha Direta com o Povo, pela rádio Sociedade News (vai ao ar de segunda à sábado, das 12 às 13hrs.), dentro de um projeto da emissora que tratava do ‘novo normal’. Colhemos depoimentos de brasileiros que moram em outros países e pudemos constatar, que em vários deles, a vida vai chegando mais próxima do normal, após um período mais complicado em relação ao número de infectados do novo coronavírus.

Na Irlanda, onde a doença não chegou a assustar tanto em número de casos, podemos dizer que a vida já está praticamente normal. Conversamos com um casal de feirenses (Rafael Mascarenhas e Indiara Vitório), que nos contou que a única coisa, das atividades que têm, que não está acontecendo, é o curso de inglês que eles frequentam, dentro da programação do intercâmbio em que estão. Fora isso, o trabalho já voltou ao normal. Restaurantes, cinemas e teatro estão funcionando, e a doença está bastante controlada no país. Existe ainda algumas recomendações e a exigência do uso de máscaras em ambientes públicos fechados. Um detalhe que chamou a atenção do depoimento dela foi o fato de que o auxílio pago pelo governo para que as pessoas ficassem em casa ao invés de trabalhar, no caso dela, era maior do que o próprio salário (ela trabalha em uma rede famosa de cafeterias).

Conversamos também com um feirense (Thomas Kunrath), que é chef de cozinha em Londres, na Inglaterra. Lá, o número de casos da doença chegou a um pico muito maior do que na Irlanda. Ainda assim, a doença está muito mais controlada do que em outros momentos, e a maioria dos estabelecimentos comerciais estão funcionando. A lista de recomendações é maior, como evitar utilizar transportes públicos (mas se precisar, eles estão funcionando na sua totalidade), e o uso de máscaras. A lista de exigências também é bem maior e atinge mais estabelecimentos que funcionam em locais fechados, como os restaurantes. Eles estão funcionando, mas só podem abrigar, grupos de, no máximo, seis pessoas por mesa. Os clientes também não podem circular pelo interior dos restaurantes. Chegou, comeu, e foi embora.

O que chama mais atenção é a situação da Itália. Dos países europeus, foi o que mais sofreu com o pico de número de casos do novo coronavírus. Por lá, agora é verão, e por mais que isso fosse inimaginável meses atrás, as pessoas estão conseguindo aproveitar o momento. As viagens aos locais praianos voltaram a acontecer e as pessoas estão curtindo seus momentos de lazer ao ar livre, na medida do possível. Ainda existem recomendações, mas a vida está praticamente normal em grandes centros como Roma, e Milão – principal berço econômico do país.

Uma coisa, todos esses países citados acima têm em comum: o isolamento social neles foi rigoroso, e teve uma adesão em massa pela população. Isso conseguiu frear mais o avanço do vírus e fez com que a situação melhorasse, mesmo que não tenha sido resolvida na sua totalidade, já que, como sabemos, isso só deve acontecer mesmo quando tivermos uma vacina. Se formos comparar com o Brasil, que teve seus primeiros casos registrados em fevereiro, e hoje, quase seis meses depois, já é o segundo em número de casos de Covid-19 (atrás apenas dos EUA), vemos que uma coisa está totalmente direcionada à outra. Por aqui, o isolamento social nunca teve a adesão necessária. Feira de Santana, por exemplo, só passou do mínimo recomendado, de 50%, durante o período do ‘toque de recolher’. Claro que isso não deve ser colocado na conta só da população. É preciso criar as condições (principalmente financeiras) para que as pessoas cumpram esse isolamento. Os governos, nas três esferas, falharam, de um modo geral, com isso. Mas temos sim a nossa responsabilidade. Sabemos que o brasileiro, de um modo geral, não tem feito a sua parte como deveria. E a conta sempre chega.

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