Auxílio emergencial 'foi pago' para mais de 7 mil servidores estaduais na Bahia, aponta auditoria

Órgãos apontam que servidores, ativos e inativos, além de pensionistas foram incluídos como beneficiários do auxílio de R$ 600 disponibilizado pelo governo federal.

Foto: Divulgação

O benefício do auxílio emergencial do governo federal foi pago a 7.152 servidores estaduais na Bahia, segundo dados levantados em auditoria feita pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e a Controladoria Geral da União (CGU). As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (3), pelo TCE-BA.

De acordo com o órgão, os pagamentos irregulares foram destinados a servidores (ativos e inativos) e pensionistas. Conforme apurado pelo TCE-BA e CGU, o montante de recursos envolvidos nos pagamentos indevidos a esses servidores é de R$ 4.676.400 e corresponde apenas a uma cota do auxílio mensal. Ou seja, o valor pode chegar a R$ 14.029.200, se houver o pagamento das duas cotas restantes.

Na quinta-feira (2), o Tribunal de Contas da União (TCU) já tinha informado que o auxílio emergencial havia sido pago mais de 1.300 mortos na Bahia, com irregularidades que geraram prejuízo de R$ 26 milhões.

Sobre a situação envolvendo os servidores do estado, o TCE-BA informou que, no levantamento auditorial, foram utilizadas as bases de dados do pagamento do Auxílio Emergencial (Lei 13.982, de 02/04/2020) e das folhas de pagamento do mês de maio de 2020 dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Poder Executivo do Estado da Bahia. Também foram aplicados os mesmos procedimentos na folha de pagamentos do próprio Tribunal de Contas do Estado da Bahia, mas não foi identificado nenhum pagamento do auxílio emergencial para esses servidores.

Ainda segundo o órgão, para uma segunda fase dos trabalhos, o TCE-BA e a CGU aguardam que os Poderes Judiciário e Legislativo, assim como o Ministério Público e a Defensoria Pública também forneçam as suas folhas de pagamento para o cruzamento, o que deverá ocorrer nos próximos dias.

O TCE-BA destacou que o auxílio emergencial possui natureza assistencial e destina-se a trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados diante da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. De acordo com a Lei, o beneficiário do auxílio não deve possuir emprego formal ativo.

O decreto de regulamentação diz ainda que os agentes públicos, incluindo os ocupantes de cargo temporário, função de confiança, cargo em comissão e os titulares de mandato eletivo, não possuem direito ao benefício.

O TCE-BA destacou, entretanto, que pela forma de operacionalização do auxílio, é possível que os servidores não tenham feito solicitação para o seu recebimento, mas que tenham sido incluídos como beneficiários do Auxílio Emergencial de forma automática por estarem no Cadastro Único para programas sociais ou por serem beneficiários do Programa Bolsa Família. Há ainda a possibilidade de que o CPF tenha sido inserido como solicitante do auxílio de forma indevida por outra pessoa e não necessariamente pelo próprio servidor.

Por conta disso, o TCE-BA alertou que os números resultantes do trabalho de fiscalização não são definitivos e por ora são tratados como indícios, já que os beneficiários podem ter recebido os valores sem que tenham agido com culpa ou dolo. Na notificação, os agentes públicos envolvidos serão informados sobre a existência de um canal disponibilizado pelo Ministério da Cidadania para a devolução de valores eventualmente pagos/recebidos de forma indevida.

Os agentes públicos também serão alertados de que a inserção ou declaração de informações falsas em sistemas de solicitação do benefício podem caracterizar os crimes de falsidade ideológica e estelionato, além de configurarem possíveis infrações disciplinares a serem analisadas.

O benefício do auxílio emergencial do governo federal foi pago a 1.358 pessoas mortas na Bahia, de acordo com uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

De acordo com o relatório obtido pelo G1, esses pagamentos irregulares geraram o prejuízo de R$ 888 mil aos cofres públicos, valor que pode aumentar caso os pagamentos não sejam interrompidos.

Outras irregularidades são apontadas pelo relatório. Além dos casos de mortos beneficiados, outro dado que chama a atenção é que 2.091 pessoas com CPF nulo, suspenso ou cancelado também receberam o auxílio emergencial.

No total, o TCU identificou que 39.636 pessoas na Bahia recebem o auxílio indevidamente. Entre as irregularidades estão: beneficiários do INSS; beneficiários emergenciais; servidores e pensionistas municipais, estaduais e federais; pessoas que estão recebendo seguro desemprego; pessoas que estão recebendo auxílio reclusão; CPFs com falha na identificação; pessoas que recebem múltiplos auxílios emergenciais; pessoas com renda além do limite, além dos falecidos e CPFs cancelados.

Todos esses benefícios concedidos irregularmente geraram prejuízo de quase R$ 26,4 milhões.


Informações G1

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