Eleição sem beijar as crianças

Foto: Divulgação

O eleitor já sabe que em toda campanha eleitoral tem isso. De repente, alguns candidatos começam a bater à sua porta, cheios de simpatia e intimidade, tomando cafezinho, pegando crianças no colo e as beijando, fazendo um lanche, colocando o papo em dia, as vezes, até perguntando se você precisa de alguma coisa, e no fim, pedindo o seu voto. É um ritual que se repete de casa em casa, de comunidade em comunidade. Depois das eleições, a maioria deles some, e só volta a aparecer 4 anos depois.

Ao que tudo indica, esse ano, apesar de ser eleitoral, eles não poderão aparecer. Mesmo com a confirmação do adiamento das eleições municipais para o mês de novembro, deveremos ter campanhas bem diferentes em 2020.

Com a pandemia, não é recomendado promover aglomerações, como comícios, e não é seguro receber em casa uma pessoa que já passou em dezenas de outras casas antes, tendo contato com tanta gente. Acredito que essas práticas, a depender de como a situação de saúde pública estiver nos próximos meses, deverão até ser proibidas.

Restarão aos candidatos o material gráfico que polui visualmente a cidade sempre que tem eleição, e o tempo disponível a cada um no rádio e na televisão, no horário eleitoral gratuito. Nesse caso, eles terão que, necessariamente apresentarem propostas para conquistar seus votos.

Ao eleitor, caberá mais uma vez a responsabilidade, cada vez maior, de escolher seus representantes, e no caso desse ano, a tarefa de fiscalizar e denunciar àqueles que promoverem aglomerações sem permissão para isso, além dos atos ilícitos já conhecidos.

Fato é que vai ser interessante ver a criatividade dos candidatos para conquistarem seus votos sem cafezinho na casa de “dona Maria” ou aquele beijo no rosto do “menino Joãozinho”, filho dela. Certamente, teremos também, como todos os anos, àqueles que apelarão para o lado cômico. Alguém lembra do deputado Tiririca, com o “pior que tá, não fica”? E o pior é que ficou. Não necessariamente por culpa dele. Aliás, para ele, deve ter ficado até melhor, já que o povo o elegeu.


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