Wassef admite que mentiu e escondeu Queiroz porque Flávio Bolsonaro estaria jurado de morte

Antes, advogado vinha dizendo que não sabia o paradeiro de Queiroz, pivô do esquema de desvio de salários à época em que Flávio era deputado estadual. Nova versão foi dada em entrevista à revista 'Veja'. Wassef afirmou ainda que fez tudo sem conhecimento

Foto: Divulgação

Em entrevista à revista "Veja", o ex-advogado da família Bolsonaro Frederick Wassef apresentou outra versão para justificar ter escondido Fabrício Queiroz em sua casa, em Atibaia (SP). Depois de afirmar não ter conhecimento do paradeiro do ex-assessor de Flávio Bolsonaro e de tê-lo abrigado em Atibaia, Wassef admitiu à "Veja" que escondeu Queiroz porque ele estaria jurado de morte por “forças ocultas”, sem revelar que forças seriam essas. E que ele tinha convicção de que esse suposto assassinato teria como objetivo colocar a culpa no presidente Bolsonaro.

Wassef também mudou a versão sobre a hospedagem que deu a Queiroz: agora disse à "Veja" que sabia que Queiroz ficou em sua casa em Atibaia em vários períodos, sem precisar datas. Mas que fez tudo sozinho e nunca contou nada para a família Bolsonaro.

Apesar de a investigação ter sido conduzida pela Justiça e pelo Ministério Público do Rio, o ex-advogado da família Bolsonaro disse que a prisão de Queiroz em sua casa foi uma conspiração dos governadores do Rio, Wilson Witzel, e de São Paulo, João Doria, adversários políticos do presidente.

Wassef disse não saber do paradeiro de Queiroz ao menos quatro vezes em outras entrevistas.

Ao programa "Em Foco com Andréia Sadi", em setembro de 2019, o advogado disse que não sabia onde o ex-assessor de Flávio Bolsonaro estava.

"Então, vamos lá. É importante lembrarmos que não existe a frase o sumiço do Fabrício Queiroz, isso não corresponde à realidade real", disse Wassef a Sadi, que sem seguida questiona onde o ex-assessor estaria. "Fabrício? Eu não sei, eu não sou advogado dele", respondeu Wassef.

Em maio de 2020, em entrevista ao portal UOL, Wassef também afirmou que não sabia do paradeiro de Queiroz e que achava que ele poderia aparecer — o ex-assessor, até então, não era considerado foragido pela polícia, mas nunca havia sido encontrado para dar declarações sobre sua suposta ligação com o esquema de “rachadinhas” na Alerj na época em que trabalhava para Flávio.

“Eu também acho que ele [Queiroz] poderia aparecer, a gente só não pode esquecer que ele quase morreu, teve um câncer. As pessoas falam muito desta história, 'cadê Queiroz, cadê Queiroz', mas esquecem de dar os detalhes que aconteceram na época dos fatos. Essa história que eu vi em alguns sites, de alguns jornalistas que por ética eu não vou dizer o nome, dando a entender ‘Olha, o Queiroz ia depor, mas foi orientado por um plano B, C ou D ou advogados misteriosos a não comparecer...’ Isso tudo é fake news. Isso não existe, é tudo mentira. O que tem de regular, se nós formos analisar, e eu me recordo na época dos fatos, é só a gente pegar a Rede Globo de Televisão, sucessivos materiais jornalísticos da época, o que estava fora da curva e atípico é o procedimento do Ministério Público de Janeiro que queria ouvir a pessoa [Queiroz], mas trabalhando numa velocidade que eu na minha vida nunca vi", disse ao UOL.

Na semana passada, no dia 18 de junho, entretanto, Queiroz foi encontrado e preso em um imóvel pertencente a Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo.


Informações G1

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