A QUARTA-FEIRA DE CINZA PROSSEGUIRÁ

Foto: Divulgação

Encerrado os eventos momescos, o que se observa no horizonte é uma quarta-feira de cinza que se prolongará por um longo período. Pensando bem, a quarta-feira de cinza já estava instalada no cenário nacional há muito tempo. E explico por que.

O que vemos no quadro politico nacional é um tenebroso esgarçamento das virtudes, valor que deveria está entranhado na presidência da república e que está sendo deixado de lado. Eleito legitimamente, o presidente da república se porta ora como um boquirroto que desconhece o alcance de suas palavras, por outro defende propostas e posições em desencontro a aquilo que realmente interessa ao país. Cercado por tipos exóticos e em sua grande maioria incompetentes nada de concreto e substancioso aconteceu que melhorasse a economia, a educação e as politicas públicas. Antes que chie, a reforma da previdência necessária e urgente foi um trabalho do Congresso Nacional, até porque o presidente da república e seus pimpolhos eram contra antes de disputarem os cargos que atualmente ocupam.. Um deles até divulgou que a previdência era superavitária.

Calcado num delírio que passou a ser chamada de nova politica, a presidência da república não tem base politica no parlamento. Não há uma interlocução com deputados e senadores, pois nem partido de sustentação tem. Não se permitiu ao longo do seu primeiro ano de governo construir pontes que permitisse uma base para os projetos políticos. E o que se viu foi à ausência de projetos e dialogo. Daí as medidas provisória que não são levadas a plenário para serem votadas e perdem validade. O que não deixa de ser um alento. Pois a maioria não tem relevância e /ou sustentabilidade jurídica.

Os assessores mais próximos também estão na mesma toada. Muitos deles incompetentes, alguns analfabetos, outros fundamentalistas. Aqueles que deveriam por um pouco de equilíbrio na governança, atiçam a desordem e incorporam o discurso beligerante do seu chefe. Exemplo. O general Heleno surpreendido por uma fala pública divulgada nos canais oficiais do governo federal. Disse o ministro que o congresso nacional chantageia e ainda soltou um sonoro palavrão. Fato que para alguns foi apenas um desabafo, não deveria rondar a cabeça de ministro tão próximo da presidência. Esperava-se equilíbrio, não só pela experiência como pela patente que já ocupou.

Não satisfeito com sua incapacidade administrativa, ainda se ocupa o presidente com bravatas sobre combustível, ataques a imprensa, ofensas preconceituosa de todas matizes. Incapaz de apresentar uma discussão com profundidade sobre os problemas do Brasil, a sua pauta é exatamente aquilo que defendia quando deputado. Nada de consistente do ponto de vista que se espera de um presidente da república.

Por sua vez, a troia de seguidores digitais e analógicos, sem argumento contra as sandices, rebatem que os presidentes anteriores fizeram igual ou pior nas declarações destrambelhadas e preconceituosas, como se isto deslegitimasse a misoginia e falas preconceituosas do atual presidente da república. Tanto os antecessores quanto o atual jamais deveriam expor esta sandices. Um falava por ignorância ou atual tartamudeia por convicção de seus valores. Ambos errados.

O desarranjo institucional já sem tamanho ainda impulsiona coisas do tipo: uma passeata organizada para março tendo em seus cartazes de divulgação de fotos de generais que entre as destrambelhadas e reacionárias propostas o combate ao congresso nacional e seus respectivos presidentes. É uma gente perigosa e criminosa. Passeata para propor fechamento ou coisa equivalente do parlamento brasileiro é coisa para cadeia. Espera-se que os generais desautorizem o uso de suas fotos.

Essa gente que costuma relativizar as atitudes descompromissada com a serenidade e o decoro do cargo de presidente da república como se isto fosse apenas uma intriga da imprensa, e costuma utilizar o argumento xexelento de que o PT destruiu o país. Sim destruiu, mas isto não é argumento de passar a mão na cabeça do presidente, simplesmente porque acha que se está realizando um bom governo. Infelizmente não está. Tirando a reforma da previdência que foi realizada pelo congresso nacional, não há nada de concreto e relevante que melhorasse os indicativos do Brasil. Não estou falando do ano que passou, mas da falta daquilo que não se sabe se será feito pela falta de projeto politico.

A quarta-feira de cinzas continuará, após o carnaval. O presidente da república se nega a exercer seu papel institucional de aglutinador e mediador da politica nacional. Insiste em ser um agitador com um comportamento faccioso que somente atinge a um nicho de extremistas destrambelhado e que alimenta as redes sociais. A eleição do atual presidente da república é um acidente histórico e politico. Espera-se nos três anos que restam de governo realmente haja mudanças significativas na postura. Mas no desenhar do que aponta no inicio da avenida, o bloco mais parece um exercito brancaleone onde seu chefe não dá sinais que vá mudar. Resta-nos 2022..

Compartilhe

Deixe seu comentário