Miliciano morto na Bahia cruzou mangue e lagoa ao fugir da polícia

Leandro Guimarães, dono de fazenda onde miliciano se escondeu, disse em depoimento à polícia que Adriano recebeu uma mensagem no sábado (8) e pediu que fosse levado para outro local.

Foto: Divulgação/Editoria de Arte TV Globo

Quando ainda estava foragido, o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega conseguiu escapar de uma ação policial passando por uma área de mangue e atravessando a nado uma lagoa que fica próximo a um condomínio de luxo na Costa do Sauípe, na Bahia.

A rota de fuga foi descoberta por policiais da Bahia e do Rio de Janeiro durante as investigações para tentar prender o ex-PM. O trajeto percorrido por Nóbrega foi revelado pelo Jornal Nacional nesta terça-feira (11).

Ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar fluminense, Nóbrega era suspeito de comandar um grupo que cometeu dezenas de homicídios: o Escritório do Crime.

Adriano da Nóbrega, segundo a polícia, foi morto no domingo (9) na cidade de Esplanada, município na Bahia, ao ser encontrado por agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) daquele estado.

De acordo com investigações, em dezembro Adriano da Nóbrega alugou uma casa – a de número 14D – em um condomínio de luxo na Costa do Sauípe. Lá, o capitão se exercitava diariamente na academia do condomínio.

Ao perceber que a polícia cercava o local, Adriano fugiu. De acordo com levantamento feito pela Secretaria de Segurança da Bahia, o policial militar do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fluminense fugiu pelos fundos da casa até um mangue.

Depois de cruzar o mangue, Nóbrega mergulhou na lagoa e nadou até a restinga, chegando depois à praia. Segundo policiais, Adriano percorreu um quilômetro em 50 minutos.

A constatação do trajeto percorrido pelo ex-PM ocorreu após levantamento dos policiais da Bahia, que refizeram a rota feita pelo ex-capitão.

Ao chegar na praia, Adriano correu por mais 50 minutos até a cidade mais próxima onde alugou o primeiro carro para seguir para a fazenda de Leandro Guimarães, pecuarista da região.

Temendo estar sendo seguido, o miliciano alugou ao todo quatro veículos no período de três horas até a cidade de Esplanada, onde ficou hospedado na fazenda de Leandro.

Leandro contou aos policiais que esteve com Adriano da Nóbrega várias vezes em eventos conhecidos como vaquejadas. Segundo seu depoimento, Adriano chegou à fazenda afirmando que estava de férias e procurava uma terra para comprar.

O dono da fazenda contou que levou o ex-PM a vários lugares que estavam à venda, mas ele não teria gostado de nenhum. Disse ainda que Adriano continuou hospedado na fazenda.

Segundo ele, no sábado à noite, após mexer no telefone celular, Adriano ficou muito nervoso e exigiu, sob ameaça de morte, que fosse levado para um dos sítios que havia visitado.

"Ele disse, sobre o novo local, que teria sido uma escolha do próprio Adriano, que conhecia esse local previamente por ter sido a ele mostrado como uma possibilidade de compra", disse o promotor que investiga o caso na Bahia.
O percurso entre a fazenda de Leandro e o sítio onde Adriano foi encontrado é de dez quilômetros. O sítio escolhido como novo esconderijo pertence ao vereador Gilsinho de Dedé (PSL). O vereador disse que não conhecia Adriano e nem sabia que ele estava no sítio.

Na manhã de domingo (9), 75 agentes de várias forças de segurança da Bahia chegaram ao sítio em busca de Adriano.

Em seu depoimento, Leandro disse que não contou onde estava o foragido porque temia por em risco a vida dele e de seus familiares.

Ele disse que conhecia Adriano como criador de cavalos e que só tomou conhecimento de que se tratava de uma pessoa perigosa quando foi ameaçado pelo ex-capitão.

Leandro Guimarães estava preso desde o dia da operação, domingo (9).

Ele não tinha autorização para possuir as três armas encontradas na sua fazenda, duas com numeração raspada. Nesta terça-feira (11), Leandro obteve autorização da Justiça para sair da cadeia.

O promotor encarregado do caso na Bahia, Dário José Kist, levanta dúvidas sobre a versão que o pecuarista apresentou à polícia no seu depoimento.

"Quem passa uma festa junto com outra pessoa é porque tem um nível de aproximação, de proximidade que deixa duvidosa essa afirmação de que ele tinha conhecido ele recentemente e que, portanto, desconhecia o passado criminoso de Adriano", afirmou Kist.

A Polícia do Rio investiga a relação entre Leandro e Adriano e a participação dele na fuga do ex-capitão da PM.


Informações G1

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