MP diz que chacina de motoristas por app em Salvador foi motivada por vingança

Denuncia contra suspeito de envolvimento no caso foi feita nesta terça (21). Segundo órgão, um motorista foi liberado após dizer que morava no local. Crime ocorreu em dezembro de 2019.

Foto: Divulgação

A denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra um dos suspeitos de participar da chacina contra quatro motoristas por aplicativo, em Salvador, aponta que a motivação do crime foi vingança.

O suspeito de envolvimento na morte das vítimas, identificado como Benjamin Franco da Silva, de 25 anos, foi denunciado à Justiça nesta terça-feira (21), por homicídios qualificados, por motivo torpe, meio cruel e sem possibilidade de defesa das vítimas, além de roubo qualificado.

No documento enviado à Justiça, o promotor Davi Gallo cita a versão divulgada pelo governador Rui Costa, de que os assassinatos teriam sido ordenados por um traficante, após motoristas por app negarem corrida à mãe dele.

À época da prisão de Benjamin, em 26 de dezembro de 2019, a Polícia Civil informou que o crime teria sido cometido com a motivação de roubar as vítimas. Na coletiva de apresentação do suspeito, o delegado Odair Carneiro, responsável pelo caso, afirmou que a hipótese de vingança havia sido descartada e negou que os bandidos planejaram o crime porque um motorista negou socorro à mãe de um deles.

O documento da denúncia contra Benjamin também traz a informação, até então desconhecida, de que um outro motorista por app foi chamado ao local pelo celular de uma das vítimas e, ao chegar, foi liberado após perguntar aos suspeitos se ele seria roubado mesmo sendo morador da Mata Escura, região onde ocorreu a chacina.

Segundo o documento, o motorista também disse aos suspeitos que conhecia Jéferson Palmeira Soares Santos, conhecido como "Jel", apontado como mandante do crime. O homem então foi liberado pelos criminosos e pegou uma corrida na Estação Pirajá.

Se a Justiça acatar a denúncia, Benjamin Franco da Silva, de 25 anos, travesti e também conhecido como Amanda, vai responder por quatro homicídios triplamente qualificados, uma tentativa de homicídio triplamente qualificada, cinco roubos qualificados e também por associação criminosa e corrupção de menores. Todas essas penas podem chegar a mais de 100 anos de reclusão.

Segundo informações do MP, com os motoristas rendidos, Benjamin e os comparsas roubavam dinheiro, cartões de créditos, pegavam o celular das vítimas e acionavam outro motorista.

Na decisão desta terça, o MP pediu também o decreto de prisão preventiva de Benjamim, que está preso na sede Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), desde o dia 26 de dezembro de 2019, 13 dias após os crimes.

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), durante a prisão, o suspeito disse à polícia que o objetivo do grupo era roubar os veículos das vítimas.

Outros quatro envolvidos no crime morreram. Dois foram encontrados mortos e outros foram baleados em confronto com policiais.


Informações G1

Compartilhe

Deixe seu comentário