Câmara dos EUA aprova medida que limita poderes de guerra de Trump contra o Irã

A medida ainda precisa ser aprovada no Senado, onde o partido de Trump tem maioria. Na prática, o presidente americano teria que pedir autorização ao Congresso antes de agir militarmente contra o Irã.

Foto: J. Scott Applewhite/AP

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (9), uma resolução que restringe a capacidade do presidente do país, Donald Trump, de adotar medidas militares contra o Irã, informou a agência de notícias Reuters. A medida ainda precisa ser aprovada no Senado, onde o partido de Trump tem maioria.

Se a medida for aprovada no Senado, Trump passará a ser obrigado a pedir autorização ao Congresso, que é a união do Senado e da Câmara, antes de adotar qualquer medida militar contra o Irã.

Houve 224 votos a favor e 194 contra a resolução, seguindo quase completamente as linhas partidárias entre o Partido Republicano, de Trump, e o Partido Democrata, seu rival - que acusa o presidente de ter agido de forma imprudente ao matar o principal general iraniano, Qassem Soleimani.

O destino da resolução no Senado ainda é incerto, diz a Reuters. Os republicanos têm 53 das 100 cadeiras, e raramente votam contra o presidente - mas pelo menos 2 senadores do partido já expressaram apoio à medida.

O texto aprovado é uma "resolução simultânea", o que significa que exige apenas a aprovação de ambas as câmaras do Congresso e não vai ao presidente para assinatura. Os republicanos argumentam que isso torna o projeto não vinculante (sem cumprimento obrigatório) e amplamente simbólico.

A Casa Branca emitiu um comunicado no qual se opõe à medida.

"Esta resolução simultânea é equivocada, e sua adoção pelo Congresso pode minar a capacidade dos Estados Unidos de proteger cidadãos americanos a quem o Irã continua tentando prejudicar", disse a nota.

A votação da resolução ocorre quase uma semana depois que Trump autorizou um ataque para matar Soleimani, principal líder militar do Irã. Democratas e alguns republicanos expressaram indignação pelo fato de o presidente não ter consultado o Congresso antes do ataque, considerando o gesto uma extrapolação do seu poder executivo.

"Se nossos entes queridos serão enviados para lutar em qualquer guerra prolongada, o presidente deve uma conversa ao público americano", disse a deputada Elissa Slotkin, democrata de Michigan que é ex-agente da CIA e analista do Pentágono e especializada em milícias xiitas. Slotkin propôs a legislação. A medida, segundo ela, "nos permite iniciar esse debate como nossos fundadores pretendiam", declarou ao jornal americano "The New York Times".

Mas, para os republicanos, o apoio à resolução foi visto como apoio aos inimigos dos EUA. Eles adotaram um argumento que altos funcionários do governo fizeram em particular para parlamentares nos últimos dias - segundo o qual questionar a autorização do presidente para confrontar o Irã militarmente é perigoso e antipatriótico.

"Em vez de apoiar o presidente, infelizmente meus colegas democratas estão dividindo os americanos em um momento crítico, enfraquecendo nossa influência no exterior e fortalecendo nosso inimigo, o maior patrocinador do terror do mundo", disse o deputado Michael McCaul, do Texas, o republicano com posto mais alto no Comitê de Relações Exteriores da Câmara.


Informações G1

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