Vítimas de Paraisópolis morreram com 'traumas compatíveis com os de pisoteamento', diz SSP

Nove pessoas morreram em baile funk após ação da polícia na comunidade da Zona Sul. Apenas uma das vítimas não morreu por asfixia, mas por traumatismo.

Foto: Divulgação

Vítimas de um baile funk em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, após ação da Polícia Militar em 1º de dezembro, morreram com traumas compatíveis com os de pisoteamento, de acordo com informação de laudos necroscópicos divulgados pela Secretaria da Segurança Pública nesta sexta-feira (13). Nove pessoas morreram.

Os laudos foram recebidos pelo Departamento de Homicídios e Proteção e anexados ao inquérito em andamento. A Secretaria não divulgou os laudos na íntegra.

A TV Globo apurou que oito vítimas morreram por asfixia mecânica por sufocação indireta. Médicos legistas explicam que isso ocorre quando a pessoa sofre uma forte compreensão do tórax, que impede a respiração.

A única vítima que não morreu por asfixia foi Mateus dos Santos Costa, de 23 anos. Ele sofreu traumatismo raqui-medular, ou seja, uma lesão fatal na médula espinhal.

O Instituo Médico Legal (IML) não encontrou em nenhum dos corpos sinais característicos de violência ou agressão. Questionado sobre os laudos, o governador João Doria disse que não iria comentar.

Até o momento, cerca de 40 pessoas foram ouvidas e os testemunhos foram anexados ao inquérito e a equipe analisa imagens, áudios e demais informações da investigação. A Corregedoria da Polícia Militar também apura todas as circunstâncias relativas à ocorrência em um IPM.

As nove mortes foram registradas pela Polícia Civil como suspeitas. Segundo o boletim de ocorrência registrado no 89° DP (Portal do Morumbi), as nove mortes são investigadas como suspeitas provocadas em um acidente. Não há registro de que sejam classificadas como Morte Decorrente de Intervenção Policial (MDIP).

A Polícia Militar alega que as mortes ocorreram depois de uma perseguição policial seguida de tiros, mas moradores disseram que houve uma emboscada da polícia.

Além disso, o boletim explicita que os policiais sofreram tentativa de homicídio. O boletim também registrou uma lesão corporal porque uma mulher foi internada com ferimento na perna que teria sido causado por arma de fogo. As armas dos policiais foram apreendidas para exame balístico, se necessário.

Os seis foram submetidos a exames residuográficos para identificar eventuais vestígios de pólvora nas mãos. Isso é feito para descobrir se os PMs atiraram com arma de fogo durante o tumulto.

Segundo eles, um grupo de policiais em motos estava na Avenida Hebe Camargo na altura do cruzamento com a Rua Rodolf Lotze. Eles foram surpreendidos por uma moto XT 660 de cor preta, que passou pelo meio do comboio policial. Depois, ainda de acordo com a PM, um dos ocupantes da moto atirou contra os policiais, que perseguiram a moto até o local onde ocorria o baile funk, na rua Ernest Renan, onde foram hostilizados pelo público. Por isso, os agentes afirmam que foi necessário o "uso moderado da força" ao usar o cassetete e munição química para dispersar a multidão. As pessoas fugiram para vielas e foram pisoteadas, segundo os policiais.

Já os moradores dizem que a a polícia entrou na comunidade e fechou as esquinas da Rua Ernest Renan com a Rua Herbert Spencer e Rodolf Lotze. Depois, os policiais atiraram bombas de gás e balas de borracha, jogaram garrafas, bateram com cassetetes e usaram sprays de pimenta na multidão e muitos jovens entraram em vielas e foram pisoteados.

A SSP afastou 31 policiais militares envolvidos na ação em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo. Destes, seis policiais da Rotam já estavam afastados e, agora, outros 25 policiais da Força-Tática também estão fazendo trabalhos administrativos.



Informações G1

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