Governo decide afastar mais 32 policiais envolvidos em operação em Paraisópolis

Outros seis policiais já foram retirados dos trabalhos nas ruas. Nove pessoas morreram e 12 ficaram feridas na madrugada de domingo (1º), na Zona Sul de São Paulo.

Foto: Divulgação

O governo de SP confirmou que mais 32 policiais envolvidos na ação que deixou 9 mortos na saída de um baile funk em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, serão afastados das ruas. O anúncio foi feito após reunião entre familiares das vítimas e o governador João Doria. Até então, seis policiais militares foram afastados e trabalham administrativamente.

O governador se encontrou com familiares e representantes dos moradores da comunidade de Paraisópolis. Os jornalistas não puderam acompanhar a reunião.

A procuradora geral do Estado, Lia Porto Corona , disse que as famílias demonstraram preocupação para que os responsáveis pela tragédia sejam punidos. Corona disse ainda que o governo prometeu rigor e transparência na apuração.

As investigações estão sendo conduzidas pelo Departamento de Homicídios que busca por imagens que mostram o local exato onde os nove jovens foram mortos.

As primeiras testemunhas do caso devem ser ouvidas nesta terça-feira (10). O DHPP realizou uma análise preliminar dos áudios da comunicação via rádio entre os policiais militares e a central 190 durante a madrugada do domingo (1º). As gravações confirmam três pontos da versão apresentadas pelos PMs.

Segundo os investigadores os áudios mostram que houve uma perseguição pelas ruas de Paraisópolis e que os PMs pediram reforço via rádio. Os registros apontam também que os policiais chamaram o resgate para socorrer as vítimas.

Os agentes do 16º Batalhão de Policia Militar Metropolitano, afirmaram que faziam a Operação Pancadão em Paraisópolis, quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta. Ainda segundo a PM, a dupla fugiu em direção ao baile funk atirando, provocando tumulto.

Equipes da Força Tática, que foram reforçar a ação, afirmaram que levaram pedradas e garrafadas. Os policiais, então, revidaram com munições químicas para dispersão.

Os moradores e frequentadores do baile da Dz7 contradizem a versão da polícia. Segundo eles, os policiais chegaram e fecharam duas ruas onde acontecia o baile (as esquinas da Ernest Renan com a Herbert Spencer e Rodolf Lotze), os frequentadores se assustaram com a ação e houve corre corre.

Os frequentadores do baile afirmam que a polícia agiu com truculência e agressividade, atirando com armas de fogo, bombas de gás e balas de borracha.

Os parentes das nove vítimas suspeitam que elas morreram pisoteadas ou por conta de agressões cometidas por policiais.

No noite de sábado (7) o baile funk da DZ7 voltou a ocupar as ruas da comunidade. O evento teve a presença de religiosos, público reduzido e homenagem às vítimas.

Caixas de som foram desligadas por um minuto durante a festa e comerciantes que trabalhavam no local usavam camisetas grafadas "Paraisópolis pede paz. Luto". Nas costas da roupa, o desenho de um anjo.

Os muros e paredes da viela onde os jovens foram encurralados pela PM receberam grafites com os clamores da comunidade.


Informações G1

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