CIDH condena ação policial que matou nove em Paraisópolis; três policiais são afastados

A entidade convocou ainda o Estado a reformar seus protocolos de segurança.

Foto: Divulgação

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) divulgou nesta sexta-feira (6) uma nota condenando a ação policial em um baile funk em Paraisópolis, na capital paulista, que resultou na morte de nove pessoas no último domingo (1º). A entidade convocou ainda o Estado a reformar seus protocolos de segurança. A CIDH é um órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA) para a promoção e proteção dos direitos humanos no continente americano.

“A comissão condena categoricamente essa ação policial e insta o Estado a iniciar, sem demora, uma investigação séria, imparcial e eficaz dos fatos, orientada a determinar a verdade, assim como a individualização, julgamento e eventual sanção dos responsáveis por esses fatos. Além disso, a comissão lembra ao Estado o seu dever de reparar às vítimas de violência e suas famílias”, diz a nota.

A comissão reuniu as versões, relatando-as no documento divulgado hoje. Segundo a Secretaria da Segurança do Estado de São Paulo, a ação da polícia militar ocorreu durante uma operação em Paraisópolis, quando dois homens de motocicleta dispararam contra as tropas e fugiram para o baile funk, atirando e gerando tumulto entre os frequentadores do evento.

Ainda segundo relato da comissão, vítimas e testemunhas da tragédia disseram que os policiais teriam fechado a rua onde estava ocorrendo o baile funk, utilizando gás lacrimogêneo e balas borracha contra as pessoas presentes, sem que houvesse um confronto.

“Segundo informações públicas e vídeos disponíveis, os policiais cometeram maus tratos e abusos de maneira indiscriminada contra jovens que se dispersaram na área de atividades culturais. Da mesma forma, a CIDH tomou conhecimento de que o serviço de atendimento médico de emergência que havia sido acionado para prestar atenção imediata às vítimas teria sido cancelado em seguida a pedido dos agentes do Corpo de Bombeiros, com um forte indício de omissão que deve ser rigorosamente investigado”, relatou a comissão.

Três policiais militares foram afastados após a ação em um baile funk. O batalhão da área assumiu a investigação da PM e também vai apurar se os policiais alteraram o local onde os disparos foram feitos. 

Os afastados são três PMs da Força Tática que participaram do suposto confronto que acabou com a morte do morador de rua Alberto Góes, de 38 anos. A assessoria da SSP não confirma se os dois PMs que aparecem nas imagens confinando um grupo de jovens numa viela foram afastados ou não. O ouvidor das Polícias pediu o afastamento deles na quarta-feira.

De acordo com o boletim de ocorrência, o homem foi baleado na viela de São Jorge, após correr em direção aos policiais com uma arma em punho e atirar. O BO informa que o homem estava "provavelmente fugindo da ação de dispersão que era feita do outro lado da comunidade [por outra equipe da polícia]" durante o baile funk.


Informações Agência Brasil

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