Conselho de Comunidades Negras apura denúncia de discriminação racial em anúncio de vaga de emprego

A postagem trazia o seguinte conteúdo: “Contrata-se atendente de lanchonete, com experiência e de pele clara. Praça do Nordestino, falar com Humberto”.

Foto: Abnner Kaique

Um anúncio de emprego publicado em uma rede social, com conotação racista, está sendo apurado pelo  Conselho Municipal de Comunidades Negras e Indígenas (CONDECNI), juntamente com a Prefeitura. A postagem trazia o seguinte conteúdo: “Contrata-se atendente de lanchonete, com experiência e de pele clara. Praça do Nordestino, falar com Humberto”.

Na tarde desta terça-feira, 26, será realizada uma reunião na Casa dos Conselhos, às 15h, com participação dos conselheiros do Condecni e da advogada do Departamento de Igualdade Racial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SEDESO), Fernanda Mendonça. Na oportunidade serão definidas as ações sobre o caso. 

A denúncia foi apresentada ao Conselho de Comunidades Negras e Indígenas no último dia 20, quando se comemorou o Dia da Consciência Negra. A presidente do Condecni, Lourdes Santana, conta que esteve pessoalmente no local, e se apresentou como candidata a vaga de emprego.

"Quando cheguei já estava uma menina negra pedindo essa vaga e ele [o proprietário] disse que não tinha. No momento que cheguei, disse que era concorrente dessa vaga, estava de roupa afro e tudo mais, ele foi um pouco grosso. Depois eu me identifiquei, ele se acalmou e conversamos", exlica Lourdes. 

Durante a conversa, o proprietário do estabelecimento disse que não tinha conhecimento do teor do anúncio publicado na rede social. "E conforme apuramos o anúncio teria sido feito por uma cunhada dele. Conversei com ela, que declarou que 'achou que isso não daria em nada'. Daí questionei: como uma vaga de emprego com teor racial não daria em nada?", revelou Lourdes.

A presidente do Condecni revela que o proprietário do estabelecimento já prestou esclarecimentos a Polícia Civil. A suposta autora da publicação também deverá ser ouvida. O Conselho também vai levar o caso ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público do Trabalho para que o comerciante se retrate ou apresente provas de que ele não foi responsável pelo anúncio. Outras medidas serão definidas na reunião desta terça-feira. 


Informações PMFS 

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