UMA VERGONHA ALHEIA

Foto Divulgação

Sempre manifestei neste espaço a minha contrariedade a respeito dos impulsos da operação Lava Jato. Vituperei contra o desrespeito ao devido processo legal, a constituição federal e ao bom senso. As condutas de procuradores e juiz sempre foram impor o combate a corrupção mesmo que isto significasse atropelos legais, afinal uma parcela grande da imprensa e da população aplaudia o desrespeito a lei. Estavam enfim prendendo os figurões da politica, e por isto chegávamos ao nirvana da seriedade da vida pública.

As conversas divulgadas pelo site Intercept veio desmascarar aquilo que eu já afirmava, e digam o que for, provaram as heterodoxias de como prendiam sem provas, conduziam coercitivamente para depoimento em contrariedade a lei, delações premiadas capengas e sem provas do que foi dito, indicação de testemunha ao MP feita por juiz e por aí vai. Delagnol se comportava como paladino de uma nova era que se iniciava. O Brasil não seria mais o mesmo. Finalmente a juventude acordou e passou a exercer o seu papel de mudar tudo isto que esta aí. Ledo engano.

Porém, como já disse as conversas divulgadas desnudou a face da arbitrariedade jurídica de como não fazer na condução dos processos penais. A forma como foi feita a coisa denota senão uma afronta aos diplomas legais, o seu oposto, que sinceramente não acredito: desconhecimento da lei.

Relato esta palavras em razão da entrevista de um dos integrantes da Lava Jato no programa Painel da Globonews exibido no último sábado. O que vi e ouvi foi o despreparo envolto numa pele de quem acha que domina a técnica jurídica. As colocações dadas pelo ex-procurador, com todas as vênias, foram ridículas. As coisas ditas e sua verborragia contra o STF, os políticos de um modo geral são inadmissíveis para quem ocupou até pouco tempo uma função de Estado. E o pior, confessou que a Lava Jato tinha candidato, e este era Bolsonaro, porém relatou estar decepcionado com ele. Suas análises politicas na entrevista prefiro não comentar porque foram primárias e sem consistência. Via-se que não tinha nenhum traquejo intelectual.

Mas o pior não está na entrevista do ex-procurador  mas no atual estado de coisa que o Brasil se encontra. Uma gente despreparada ocupando cargos sem nenhum talento para o ofício. O que me assustou realmente foi a divulgação das conversas entre os procuradores da Lava Jato ao comentar as mortes de pessoas próximas ao ex-presidente Lula. O que se viu nestas trocas de conversas é a mais completa falta de empatia e compaixão com a dor alheia.

É explicável que se não goste desta ou aquela pessoa e pelas mais diversas motivações. O que não pode é detratar e tratar coma banalidade boçal e nojenta o sofrimento dos outros quando se perde para sempre pessoas muito próximas. O que li nas mensagens divulgadas pelo site Intercept  são de um desrespeito assustador daqueles que estão ocupando cargos importantíssimos e que além de conhecimento técnico, deveriam ter compostura senão por suas condutas, mas pelo órgão que representam, no caso o MPF.

As falas dos procuradores são num tom assustador e as reproduzo aqui e quem as disse: “o safado só queria passear”, referindo-se a possibilidade do ex-presidente ir ao enterro de seu irmão. Autor: o procurador da república Januário Paludo. Situação que tem direito estampado na lei. Deltan Dalagnol chama Marisa, esposa do ex-presidente Lula de “vegetal”. O mesmo Paludo ao se referir a morte da ex-primeira dama desconfia de seu AVC. Outra procuradora faz troça do enterro do funeral da esposa do Lula, diz ela “querem que eu fique para o enterro?”. Nome dela: Jerusa Viecelli. O pior destas falas captadas foi a do procurador Athayde Ribeiro Costa ao lamentar morte do neto de Lula diz ele: ”no meio do carnaval”.

Ao expressar estes comentários é sintomático. É reflexo do despreparo, desrespeito no mais alto grau. Os comentários não são compatíveis em pessoas que se dizem civilizadas. Trata-se do ódio mais rasteiro de uma operação, que tinha sim objetivos políticos. Entre outros os de destruir todos aqueles que passassem na frente de tão valorosos procuradores. Afinal estavam combatendo a corrupção. Se não gostam das pessoas que processam, os ditos procuradores deveriam atuam com impessoalidade que se exige no trato daqueles que estão submetidos as suas acusações. Mas ao se referir a tragédias pessoais de forma jocosa num discurso de ódio lhes tiram aquilo que se esperam destas mesmas autoridades: Humanidade àqueles que escolheram como adversários.

Fiz questão de dizer os nomes deles, mais afirmo que antes nutriam por eles o meu maior desprezo intelectual, agora o meu desprezo aumentou, sinto nojo e repulsa por suas falas.

Quando escrevo este texto a procuradora Jerusa Viecelli pediu desculpas ao ex-presidente Lula. Lição que se tira disto: As conversas vazadas pelo site Intercept são verdadeiras.

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