AS CHAMAS DO DESASSOSSEGO E DAS MENTIRAS

Foto: Divulgação

A semana passada foi trepidante em acontecimentos que numa olhada apressada e sem maiores reflexões pareciam que não tinham relação entre si. Mas se olharmos com pouco mais de critérios estes fatos dispares estão tão próximos quanto não pareçam ser.

O fato talvez mais representativo dos tempos inquietos que vivemos seja a forma como o digníssimo governador do Rio de Janeiro comemorou a morte do sequestrador do ônibus na ponte Rio-Niterói, ocorrido na última semana. O fato de a polícia usar o método extremo de matar o causador do sequestro, e naquela situação fosse o único, não dava licença ao governante fluminense de levantar o braço como se comemorasse um gol do seu time favorito.  A mim não causou espanto, pois, dias antes já vituperava em entrevista ao justificar a morte de seis inocentes por uma ação da polícia como culpa dos que defendem os direitos humanos. Essa gente tem entre suas esquisitices a ideia de defender de que bandido bom é bandido morto. O fato de algum tempo depois numa coletiva para imprensa se dizer solidário a família do sequestrador pareceu mais uma compensação pelo desvario de sua conduta saindo do helicóptero em estado de euforia, do que o sentimento que declarou ter. Lamentável a sua conduta governador.

Agente público seja ele qual for não deve se alegrar em matar quem quer que seja numa ação do Estado. Mas para uma patuleia ignóbil, os aplausos e os elogios decorrentes da atitude do governador atendem aquela visão meio faroeste de que somente desta forma se porá fim a violência, ao passo que nesta toada emerge das entranhas o espirito de vingança latente nestas hostes.

Outro acontecimento que dominou a imprensa na semana passada e tudo indica vai durar por longos outros dias foi os incêndios na floresta amazônica.  O festival de burrice dito sobre o tema, com o perdão do trocadilho foi amazônica. O que é fato e isto é corriqueiro, são as queimadas neste período do ano. O inverno seco favorece o aparecimento de fogo em arvores e mato. Ponto. Também é verdadeiro que a atuação de garimpeiros e madeireiros, somados com a agricultura expansiva favorecem o clima de incêndio sem controle nas imagens divulgas pela imprensa.

A gravidade do problema das queimadas na Amazônia e nas franjas das florestas é histórico. O aumento significativo do desmatamento não fica só no discurso destrambelhado do presidente da república quando põe em dúvida os dados de um dos mais importantes institutos de pesquisa do mundo, no caso o INPI. Mas a falta de fiscalização decorrente de politicas públicas sérias para o meio ambiente também ajudam e muito para o estado de calamidade que se encontra as florestas brasileiras.

O discurso do presidente da república quando se refere ao meio ambiente é fruto de puro achismo internético. Suas falas sobre o tema além de desastrosas incentivam de forma direta e indireta o desmatamento sem controle, quando aponta, por exemplo, que as multas do Ibama é uma indústria de arrecadar dinheiro. O cúmulo da decrepitude bolsonarista foi afirmar que os incêndios nas florestas brasileiras são fruto da ação de ONGs que perderam seus recursos. Este delírio nacionalista somente atiça a desconfiança internacional de que o Brasil é incapaz de proteger as suas matas. Que é incapaz isto é evidente. Faltam recursos, pessoal, maquinário, planejamento e seriedade na condução da preservação do meio ambiente em nosso país. Temos casos isolados de um ou outro ato dos governos, mas politica mais séria e com continuidade não acontece. A Amazônia é um patrimônio da humanidade, mas que está sob a responsabilidade dos brasileiros. Espirito ufanista somente acelera e demonstra nossa incapacidade de sozinhos cuidar bem de nossas reservas ambientais.

As besteiras ditas sobre a floresta amazônica são gritantes. Pulmão do mundo, não é, são os oceanos. A Amazônia regula o sistema de chuvas em boa parte do mundo. Dizer que será invadida por tropas militares estrangeiras é outra besteira sem tamanho. A extensão da floresta e sua vegetação desestimula qualquer intervenção deste tipo.

Bater de frente com outros países dispensado recursos estrangeiros somente aumenta a retaliação econômica. E o primeiro a sofrer com este tipo de ação é o agronegócio que depende das exportações para garantir a entrada de dólares. O presidente da república não deu início a destruição da Amazônia, mas seu discurso destrambelhado sobre ela ajudou a aumentar aquilo que já se vinha fazendo a muito tempo: por fogo em nossas florestas sem controle.

Para encerrar não poderia deixar de falar uma das birutices saídas da Lava Jato. O inquieto procurador Dalagnol propôs a construção de um monumento a operação de Curitiba. Sim, caro ouvinte: um monumento. Nas conversas divulgadas no site Intercept o distinto sugeriu e teve apoio dos colegas para construir uma estatua ou sei lá o que como um marco do combate a corrupção. Não sei como seria tal obra. Fico imaginando que seria. Enfim. Mais um delírio de quem não sabe o que faz e diz.


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