AS FALAS QUE PODEM CUSTAR UM CARGO

Foto: Divulgação

Já expressei aqui neste espaço a minha contrariedade as intemperes verbais do presidente Bolsonaro. Disse também à algumas semanas que sua politica de enfrentamento e radicalização se constitui de um método que se soma a sua incapacidade de dialogo com aqueles que se opões a sua visão de mundo. Como ele tem um estreitamento de ideias, muitas das vezes extrapola o bom senso e chega ao limite perigoso que pode levar a perda do cargo.

 


Não é novidade que sua conduta e seu pensamento já eram por demais conhecido, quando ainda era um obscuro e opaco membro do baixo clero da câmara dos deputados. Ao assumir a presidência não largou os hábitos, digamos assim pouco ortodoxos de suas ideias, e continuo a vituperar contra aqueles que sempre foram seu alvo ainda como deputado. O problema da incontinência verbal presidencial diz respeito Às consequências que elas representam.

 


Existem comandos legais impeditivos que delimitam a conduta do mais importante servidor da república: o presidente. Obvio que não é censurar a sua palavra. Mas impedir que ilações possam por em dúvida a conduta das instituições públicas, simplesmente porque discorda desta ou daquela situação. Exemplos são aos montes, que em democracias mais consolidadas já teriam causado estrago em qualquer governo. Querem um exemplo? O recente caso do vergonhoso comentário acerca do desaparecimento do pai do atual presidente da OAB nacional. Como não sabe o que fala, vai mudando as versões a medida que vai ficando mais grave a repercussão de suas falas. Como mentiu, vai ter que se explicar ao STF sobre o que disse. E sabem o que vai acontecer? Nada. Cairá no esquecimento, ficando somente a indignação dos familiares que tiveram que ouvir aquelas barbaridades.

 

Outro exemplo da incontinência verbal foi o comentário desairoso da decisão do STF sobre a reedição de uma medida provisória que transferia a demarcação de terra indígenas da FUNAI para o ministério da agricultura. Vale aqui lembrar o caso. No inicio do mandato presidencial, o presidente Bolsonaro retirou da competência do Ministério da Justiça a FUNAI e por via de consequência a possibilidade de demarcar as terras indígenas. Tirou das costas de Moro a responsabilidade de enfrentar dissabores  com a comunidade internacional e as ONGS’s., afinal ele só sabe combater a corrupção e diga-se de passagem muito mal. Esta opção de transferir competência se deu por medida provisória que foi derrubada no congresso nacional. Insatisfeito e numa afronta ao poder legislativo, reedita a medida provisória que foi questionada no STF e de lambuja levou uma carraspana do Ministro Celso de Melo.

 


Foi aí que soltou mais uma vez o discurso do completo desconhecimento da liturgia do cargo. Disse sem meias peias que estava chateado e que foi esculachado pelo ministro Celso de Melo. Antes de tudo, quem esculachou a constituição federal foi o presidente. É inadmissível que ele que tem que zelar por seu cumprimento não saiba o básico que qualquer secundarista mais atento sabe. Que não se pode reeditar medida provisória sobre o mesmo tema no mesmo ano de sua edição. Repito: é o básico do básico. Disse de forma despreocupada que a culpa foi de sua assessoria. Não sei o que é pior. Uma assessoria que não sabe o rudimentar da constituição ou um presidente que ao que parece nunca leu a carta magna que jurou quando tomou posse. Lamentável.

 


Outra situação que envolve suas falas é o caso da nomeação de seu filho para a embaixada nos EUA. Disse sem nenhuma vergonha por que nomeava seu rebento a tão alto posto diplomático: diz que se tiver que dar filé, daria para o seu filho e não para outro. Deixando de lado as metáforas de magarefe, ao afirma tamanho absurdo, descumpre ele um dos pilares da administração publica, inserida no art. 37 do texto constitucional: A impessoalidade na condução da coisa pública. E incorre em outra irregularidade: A nomeação somente ocorre porque é o filho da presidente da república e não por preparo e competência ou capacidade técnica, coisa que o candidato não tem. Suas falas são por demais autoritárias e descompassadas da realidade jurídica.

 


Como disse, as palavras do presidente não são postas somente pelo o que sai de sua cachola. É método, mesmo que ele não atente para isto. De forma direta expõe e marca a sua posição politica e faz chega o recado a quem deve ser ouvida: Seus seguidores fanáticos e radicais que só conhece as redes sócias e incapazes de de descrever uma frase com sujeito, verbo e predicado. Seu discurso não é liberal e nem conservador. É simplesmente autoritário. Suas falas não deixam mentir.

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