O MINISTRO ESTÁ NÚ

Foto: Divulgação

O título deste texto representa a situação que ex-super ministro Moro quando se defronta com a operação a policia federal ao prender os hackers na última semana. É a expressão de um conto do escritor dinamarquês Hans Cristian Andersen, leiam. É muito interessante e entenderão o que quero dizer.

 

Pois bem, como já dito, na semana passada numa operação da policia federal, esta prendeu quatro hackers suspeitos de invasão de 1000 celulares. Sim, isso mesmo, 1000 celulares. Entre os hackeados, diversos políticos e outras autoridades reluzentes do poder central. E ao que parece quase toda a república de Brasília. A conferir. A dita operação da policia, como sempre corria em sigilo. Necessário e crucial para estes casos. Após os depoimentos dos acusados, estes afirmaram a invasão a diversos celulares e o modus operandi de sua atuação. Mas o pior não estava na prisão e nos depoimentos dos acusados, diga-se de passagem, de uma eficiência notável. Refiro-me a atuação do chefe da policia federal, no caso, o ministro Moro.

 

Após os depoimentos, o ministro da justiça, passou a ligar a torto e a direito para as altas autoridades dizendo que foram alvos de hackeamento dos presos pela policia como se fosse uma maricota contando para vizinhança o nascimento de sua neta. E o pior disso tudo foi afirmar que as provas seriam destruídas. Os moretes logo se assanharam com a prisão hackres, batendo palmas com as mãos da frente tiradas do chão, comemorando a descoberta do autor das divulgações das ligações publicadas pelo site Intercept Brasil, Folha de São Paulo, Veja e do jornalista Reinaldo Azevedo.

 

Até o presente momento ainda não há comprovação de que os áudios divulgados pela imprensa são de origem do grupo preso. Tem que aguardar o fim do inquérito. Mas o busílis da questão não a prisão dos envolvidos, que devem ser punidos, ponto. Mas a conduta do ministro. Primeiro a investigação corre em sigilo. Então como ele sabia quais eram as autoridades envolvidas? O fato de ser o superior hierárquico da policia federal não permite que tenha acesso às investigações feitas pela corporação. A policia federal é órgão do Estado, portanto, não está a mercê dos humores do ministro da justiça.

 

O pior de tudo foi o Moro anunciar que as provas obtidas na investigação da policia seria destruídos. Ele sabe, eu acho -, que somente com autorização judicial, as provas colhidas no inquérito policial podem ser destruídas. De logo foi rebatido pelo Ministro do STF Marco Aurélio de que ele não tinha autoridade para tanto. A OAB também reagiu a conduta do inquieto ministro da justiça. A Associação dos delegados da policia federal em nota afirmou que o ministro se mantivesse distante das investigações. Acrescentou ainda que a sua fala e atuação está causando desconforto a corporação.

 

Mas toda este comportamento do Moro tem explicação. É o traço mais forte do típico autoritarismo de suas condutas quando era juiz federal e agora quando é ministro da justiça. Na pressa de tentar apoio pela prisão dos hackeres junto as autoridades e assim por em dúvida as divulgações de suas conversas nada republicanas com os promotores da Lava Jato, saiu ligando para as autoridades informando que eram vitimas da ação dos presos da policia federal. Mas sua estratégia foi por agua abaixo. Achando que ainda é magistrado lardeou que as provas seriam destruídas e informou quem era as autoridades vitimadas pelo vazamento de suas conversas telefônicas. Todo ilegal.

 

Os moretes acesos com a prisão dos hackers viram neste fato a forma de desacreditar os vazamentos das conversas da lava jato divulgadas pela imprensa, mas como essa gente falta o básico, ou seja, pensamento e inteligência estão numa armadilha. Se as conversas hackeadas forem oriundas dos acusados presos na semana passada, o seu conteúdo por via de consequência é verdadeiro. E olhem que até a presente data, os envolvidos nunca desmentiram o seu teor.

 

Como disse, a atuação do ministro Moro no caso é a concepção clássica do mais puro autoritarismo. Se vendo num cargo politico com claros objetivos politico, a sua conduta reverbera a sua vontade intrínseca, qual seja, alcançar voos mais altos na sua carreira. Nem que para isto tenha que construir uma imagem de grandiosidade no combate as mazelas da corrupção, onde a lei se torna apenas um elemento menor. Se ela não representa seus anseios, interpreta a mesma conforme a sua visão de mundo numa fachada de seriedade, conquistando assim as mentes mais fracas. Triste Brasil.

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