BAHIA COM H

Foto: Divulgação

 Por inúmeras vezes já reportei aqui neste espaço minha contrariedade de pessoas próximas de como elas tentam através de suas convicções pessoais e de mundo se recusam a ver aquilo que salta aos olhos a título de defenderem uma ideia ou pior uma ideologia, quando muitos não sabem nem o que isto.

 

Refiro-me a situação ocorrida nesta última terça-feira com a inauguração do aeroporto Glauber Rocha em Vitória da Conquista. Mas onde quero chegar, antes tenho que fazer histórico de alguns acontecimentos. Na última sexta-feira o presidente Bolsonaro numa conversa captada por microfones chamou de “paraíbas” governadores do nordeste e ainda pediu que não liberasse verbas para o governador do Maranhão. Pego em flagrante o presidente não se retratou e nem pediu desculpas. Saiu-se com a conversa de que não era bem isto que queria dizer e tal. Os governadores do nordeste em uma carta conjunta rebateu a fala preconceituosa reafirmando que a fala tem conotação preconceituosa com o povo e os governantes da região.

 

Por estas ironias de agenda, tinha o presidente a inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista. A confusão estava armada. De logo o governador da Bahia disse que não iria para o evento. Por esta decisão pipocaram as mais diversas diatribes daqueles que se dizem baianos e nordestinos. De logo afirmo sem pestanejar: Agiu certo o governador. Lembro aos incautos antes que me joguem aos leões que não votei no governador e nem sou da esquerda, o que não quer dizer quando faz a coisa certa vou jogar pedra simplesmente porque não concordo com a sua ideologia. Talvez esta minha posição não seja bem entendida, paciência. Afinal inteligência nos dias de hoje é mercadoria rara.

 

Por que o governador agiu certo? Vamos aos fatos. O governo federal contribuiu com 75% do custo da obra e o estado com o restante. O dinheiro começou a ser liberado lá no governo de Dilma. No ano passado, precisamente em novembro o Presidente Temer liberou a última parcela para finalizar as obras. Portanto o governo Bolsonaro não contribuiu com nada. Não contribui porque só tem 6 meses  de administração e não precisava de mais verbas. O que ele quis foi fazer do evento um ato politico partidário. O governo baiano solicitou 200 convidados, o governo federal aumentou para 300 e depois aumentou para 600, sendo apenas 100 para o governo baiano. Qual a intensão? Criar uma situação incomoda para o governador e ser alvo de ataques dos correligionários presentes. E também não houve pedido de desculpas pelo seu palavrório preconceituoso da última sexta-feira. Fez certo em não ir. Agora, aquela conversa de que o governador se escondeu, afirma que aqui é um quintal e só entra quem ele quer, como vi em inúmeros posts nas redes sociais, lembra aquilo que disse no início do texto. Seus acólitos somente enxerga aquilo que se adequa as convicções pessoais, esquecendo-se de separar o joio do trigo. Fazer o que.

 

Outra situação foi a demonstração do mais puro desapreço aos valores baianos. Quando o presidente põe aquele chapéu branco de vaqueiro nordestino está reforçando o estereótipo de que todo baiano e nordestino usa aquilo. Não estou demonizando a indumentária, longe disto e acho inclusive bonita. Estou falando do gesto. Aquilo demonstra desconhecer os valores de povo deste imenso Brasil. A Bahia não se presta para aquele espetáculo ridículo de que se é nordestino então portar o chapéu de vaqueiro é a tônica. É uma mania preconceituosa de se referir ao Nordeste. Por acaso alguém já viu o Donald Trump vestido de colar colorido e saia quando visita o Havaí, apenas para ficar no exemplo de uma pessoa que o presidente da república o vê como um líder? Ou então ao visitar a Escócia, uma autoridade para agradar veste o kilt. Entenderam o quis dizer meus caros. Desculpe-me presidente, mas a Bahia não se presta a aquele espetáculo dantesco. E o mais triste são os que aplaudem achando tudo lindo e maravilhoso. Ah sim, dantesco significa medonho.

 

Outra coisa no discurso presidencial. Em nenhum momento se falou naquele que deu o nome do aeroporto. Mas aí seria pedir muito. Muito provavelmente o presidente nunca assistiu um de seus filmes quiçá saber quem era o grande cineasta baiano e não é aqui nenhuma crítica, afinal é raro a exibição de seu trabalho. E antes que me xinguem, já assisti Barravento, Terra em Transe e Deus e o Diabo na terra do sol. Ele era gênio.

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