Conheça Solange, a rainha dos famosos biscoitos que são vendidos em Feira de Santana

Fabrica de Solange produz toneladas de biscoitos por ano

Correio - A fama dos sequilhos de Vitória da Conquista é grande. Mas o que pouca gente sabe é que: 1- o povo de lá só fala biscoito; 2- “O consumo do biscoito em Vitória da Conquista pode ser comparado ao consumo do feijão com arroz e do pão, predominantes na alimentação dos brasileiros. O biscoito caseiro compõe, tradicionalmente, desde o desjejum à última refeição dos conquistenses”. A frase é de Mirian Novaes, filha da terra, licenciada em Geografia, que fez seu trabalho de conclusão de curso sobre… Biscoitos


“Os biscoitos são uma tradição histórica na cidade. Inicialmente, eram feitos de forma caseira por famílias que residiam na zona rural e os comercializavam em feiras-livres. A principal matéria-prima do biscoito era farta: a mandioca para a produção de fécula. Com a migração dessas famílias para a zona urbana, o costume foi se expandindo”, conta Bruno de Souza Cruz, Gestor de Projeto do Sebrae, responsável pelo estudo Biscoitos caseiros de Vitória da Conquista.

Para alimentar o hábito, são fabricadas, na cidade, 4.626 toneladas por ano, de acordo com os dados da entidade. O peso equivale ao de quase quatro ferry boats, mais de 23 estátuas da liberdade ou 289 ônibus urbanos. Ainda segundo o dossiê, há 676 varejistas e atacadistas, 1.021 minimercados, mercearias e armazéns e 79 supermercados que vendem biscoitos na cidade. O faturamento anual estimado dos fabricantes é de R$ 69,8 milhões. Os produtores, em sua grande maioria (74,6%), estão na informalidade.

“Trata-se de uma atividade predominantemente familiar, onde há uma troca de conhecimentos que perpassa gerações: avós, pais, filhos”, afirma Mirian. É o caso dos irmãos Edilson e Solange Silva, que têm duas lojas em Vitória da Conquista (uma no centro e outra o Candeias) e dois cafés em Salvador, nos quais vendem cerca de duas toneladas de biscoitos por mês. “A gente tinha fazenda de pecuária e de mandioca. Minha mãe sempre fazia biscoitos para a gente mesmo consumir, mas sobrava muita goma da produção de farinha. A gente já tinha leite, manteiga e lenha e resolveu começar a fazer biscoitos”, conta Edilson.

Solange trabalhava na secretaria de uma escola pública quando tudo começou, há cerca de 25 anos. “Minhas amigas encomendavam e, quando eu fazia em casa, aquele cheiro gostoso se espalhava pela rua. Aí surgiam mais encomendas. Acabei saindo do Estado e comecei a vender na rua. Ia muito no Fórum. Depois abri uma loja na garagem de minha casa, no Centro”, relembra.

No início, quem ajudava a preparar as coisas, em casa mesmo, eram a mãe e os irmãos.

Hoje, entre fábrica e loja, são 94 funcionários. Todos os biscoitos saem do fundo da loja do Centro de Conquista. Das 23 opções, os mais vendidos são o avoador, e o Joaquim Teodoro (aquele de goma com gostinho de coco). Mas também tem casadinho de goiabada, palitinho de coco, chimango e pastel de Santa Clara. O preço por quilo vai de R$ 21 a R$ 98. “Todas as receitas são muito tradicionais, já existem há muito tempo. Só fiz pequenas melhorias. O único que criei mesmo foi o de cebola com goiabada”, afirma ela.

O diferencial, segundo ele, está na matéria prima. “A gente briga muito pela qualidade. Só usamos manteiga mesmo, nada de margarina. A gente paga mais caro, mas quer um produto bom”, pontua Edilson.

Victor Fernandes, 34, começou o Chalé dos Biscoitos, há 12 anos, vendendo produtos feitos pela sogra. “Minha mãe já fazia pão delícia e salgados e veio junto comigo. Dois anos depois, montei minha própria fábrica de biscoitos. Hoje, 95% do que tenho na loja é produção própria”, diz ele, que vende entre 4 e 5 toneladas de sequilhos por mês e tem 37 funcionários. Entre os 60 tipos, os mais pedidos são a cebolinha de queijo e o avoador. Mas ele também faz de milho, orégano, bacalhau, camarão e alho. O quilo vai de R$ 21 a R$ 26.

Na Ceasa, o box Railda Biscoitos Doce (sic) está entre os mais vistosos. São 45 sabores de sequilho, vendidos por entre R$ 14 e R$ 18. Os mais populares são o avoador, a rosca de coco, o de goma e o biscoito de leite condensado. Tudo começou em 1993, quando a conquistense Railda Maria de Jesus, 51, voltou de São Paulo. “Eu trabalhava numa fábrica de biscoito aqui. Viajei pra lá e trabalhei num restaurante. Quando voltei, quis começar meu negócio. Fazia tudo sozinha”, conta Railda, que hoje emprega oito pessoas na produção. Entre vendas no mercadão municipal e entregas para mercados e lojas em Feira de Santana, Ilhéus, Camaçari e Salvador, ela calcula vender quase 3 toneladas de biscoito por mês. “Tudo 100% artesanal”, garante.

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