Secretário de Desenvolvimento Rural comenta edital que visa qualificação de cooperativas

53 associações serão beneficiadas

Laís Sousa

O Secretário Estadual de Desenvolvimento Rural, Gerônico Rodrigues comentou investimentos no valor de R$ 130 milhões  que terão ordem de serviço assinados pelo governador Rui Costa, nesta sexta (11) em Feira de Santana. O montante contemplará a construção do novo Hospital Clériston Andrade com R$ 50 milhões, 

Além disso, a Setre/Sudesb será autorizada a lançar o edital de licitação para construção de quadra poliesportiva na Avenida Nossa Senhora da Boa Nova e validado o edital Aliança Produtiva, do Programa Bahia Produtiva, visando qualificação de 53 cooperativas.

O chefe do Desenvolvimento Rural na Bahia diz que o Aliança Produtiva surgiu de um pedido do governador para codificação da forma desse financeiro à agricultura familiar. "Esse edital tem uma ação muito específica porque os agricultores têm uma capacidade de produção para alimentos sadios e gostosos, mas a gente precisava sempre melhorar a qualidade da apresentação dos produtos. A grande parte dos produtos agrícolas que a gente consume nos grandes supermecados de Feira de Santana, por exemplo, são oriundos de São Paulou ou do sul do Brasil, muito poucos da gente, do Nordeste, da Bahia, do Portal. A nossa intenção é garantir que esse produtos possam ter uma aparência, um selo ou uma embalagem qualificada e produzido também em escala", explicou. 

Segundo ele, a maior dificuldade do povo rural é a comercialização. "Nós temos capacidade de produção, mas na hora de comercializar a gente entra em um gargalo difícil e esse edital, em especial, exige que a cooperativa, ao apresentar a demanda para o investimento em seu ofício, já traga no documento um empresário, seja ele de supermercado, de restaurantes, bares, hotéis, para que esteja ali assinando um compromisso de venda do seu produto. Ele já faz um esforço de procurar junto aos empresários, junto ao mercado, possibilidade de comercialização", comentou.

Gerônimo aponta que no edital é dito que o investimento é principalmente para reforma ou implantação de agroindústrias e existe por parte do governo uma preocupação para garantir que a cooperativa cumpra seu papel tendo o Estado como fomentador. 

A demanda das cooperativas têm um teto de R$76 milhões, mas a equipe técnica vai averiguar se tem viabilidade de uso de todo valor. "A gente não quer fazer investimento desnecessário porque a gente tem que ter uma responsabilidade com o recurso público. A gente tem uma agenda de assistência técnica, de apoio a feiras para que agregue valor e possa comercializar  e está havendo um clima muito favorável na Bahia da agricultura familiar se apresentando como um potencial econômico que gera renda. Normalmente os prefeitos têm contato com o governador pedindo que leve uma indústria e o governador diz que vai ajudar no que for possível, mas é que cada município desse já tem uma indústria, já está no rural centenas de famílias que precisam de um suporte para produzir e evitar estar morando na cidade sem condições, sem interesses, sem que a cidade ofereça os serviços necessários. Normalmente quando vêm do rural a pessoa não tem a capacidade de imediato de ir para certos tipos de trabalho e ficam sempre na marginalidade. O que a gente quer é fazer com que esse público tenha qualificação", constatou Gerônimo.

Dos R$76 milhões, R$64 será destinado para investimento, reformas, construções e equipamentos das cooperativas. R$ 11 milhões estão sendo chamados de "custeio" - contratação de profissionais da área para fazer projetos. "A intenção é que no futuro a gente veja os resultados disso de uma forma consolidada", declarou.

Divulgação

A intenção divulgada pelo edital é "fazer o casamento das cooperativas com o mercado e apresentar uma proposta de recurso de demanda para poder financiar sua atividade econômica", disse o secretário. "O trabalho é feito em parceria com prefeituras que normalmente têm informação para sanar dúvidas do pessoal, além daquelas transmitidas nas redes sociais da Secretaria e do Governo do Estado. Na secretaria ainda tem a Setaf, um escritório da pasta em cada território", salientou.

"O que a gente gostaria é que esses recursos fossem bem utilizados por aqueles grupos que têm capacidade de, fazendo o investimento, consolidar sua aplicação e ter sua autonomia, não ficar dependendo de emprego na prefeitura ou de nenhuma ação politica partidária", considerou. 

Produção

O secretário chamou atenção para o fato de na Bahia haver cadeias produtivas que exporta muitos produtos, de forma que não justifica o estado importar determinados produtos. "A sensibilidade do governador é que isso não se revolve a curto prazo, tem que ser um fomento. As pessoas têm que ter assistência técnica, investimento em agroindústria, um mercado para vender e estimular, não somente para garantir a segurança alimentar da própria família", pontuou.

Segundo Gerônimo, normalmente um produtor sozinho não consegue fazer tudo, por isso deve estar agrupado em uma cooperativa ou associação. Como abordagem o secretário utilizou o fato de que nem toda propriedade pode ter sua casa de farinha, que é algo comunitário onde cada um pode levar seu produto e ali ter todo um arranjo de gestão que possa não só beneficiar um artigo, mas que tenha uma estratégia de comercialização com base na escala de produção conjunta. 

Considerações

O balanço dos últimos quatro anos do Desenvolvimento Rural foi considerado positivo, mas o secretário considera que precisa de 
aperfeiçoamentos. "Nós temos uma necessidade muito grande que as secretarias municipais de agricultura ou equivalente possam dividir conosco essa responsabilidade, não de pagar a conta, mas de gerenciar esses projetos. Nós queremos criar um modelo estadual que as secretarias municipais de Agricultura possam ter essa responsabilidade compartilhada", conclamou.

De cada 10 quilos que nós baianos e brasileiros consomem diariamente, 7 a 8 quilos são produzidos pela agricultura familiar. "Naturalmente é carne, é leite, frutas, hortaliças, 75% a 80% da base da cesta básica da nossa alimentação. Algumas cadeias são bem distribuídas no estado da Bahia, como frango, leite, mel e hortaliças. Algumas são características de todo estado, mas por outro lado a gente tem muita precariedade na forma de produção ainda, sem tecnologia apropriada e isso é um sofrimento. Temos muita gente em assentamento ou pobre que ainda usa muita força de trabalho e nós viemos fazendo um esforço para que sejam substituídos por equipamentos e máquinas, porque além de produzir de forma mais eficiente, descansa a força do trabalho", pontuou.
 

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