Mutirão do Diabético realiza atendimento gratuito para mais de mil pessoas

Das 7h às 12h, o atendimento inclui exame oftalmológico para avaliação do fundo do olho, aferição da pressão arterial, teste de glicemia, avaliação odontológica, orientação nutricional e atividade física

Laís Sousa

Neste sábado (10) em que se consagra o Dia Mundial do Diabetes - instituído em 1991 pela International Diabetes Federation (IDF), a 5ª edição do Mutirão de Atendimento Oftalmológico para Diabéticos realizou atendimento multidisciplinar através de exames para avaliação do fundo do olho através de tratamento com raio lazer e exames complementares com pressão arterial, teste de glicemia, avaliação odontológica, orientação nutricional e atividades nas áreas de fisioterapia e educação física.

Foram quase 700 profissionais envolvidos entre os setores administrativo, médico e de ensino da instituição organizadora, Hospital de Olhos de Feira de Santana (Clihon), além de parcerias com a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a Prefeitura Municipal, que contribuiu com a segurança no ambiente.

A faixa de 1000 atendimentos foi ultrapassada, e, levando em consideração que cada paciente passou por torno de 5 a 6 ilhas, foram aproximadamente 6 mil procedimentos realizados no período de 7h às 12h, na sede do Hospital, na Rua Barão do Rio Branco, centro de Feira de Santana. “Nessa 5ª versão, estamos em um local mais adequado, fresco e maior, em que a gente consegue acomodar mais pessoas e principalmente executar nossos procedimentos como maior tranquilidade e eficiência”, salientou o coordenador do evento, Dr. Hermiliano Oliveira Neto.

Abordagem

“A diabetes é uma doença progressiva que começa a causar alterações progressivamente, destruindo o organismo do individuo. O olho é um desses alvos, promovendo a maior causa de cegueira em indivíduos de 20 a 40 anos, ou seja, pessoas que estão na flor da idade produtiva e começam a ficar cegas em decorrência de uma doença”, diz o oftalmologista.

A diabetes infelizmente não tem cura, mas se tem controle e, por isso, o médico salienta a necessidade de ficar de vigiando a possibilidade das pessoas terem acesso ao tratamento da doença não somente em fase final para tratamento, cujos resultados são muito pobres. “Todo paciente diabético deve ser acompanhado pelo endocrinologista ou o próprio médico clinico, que vai, através das alterações que esse paciente vir a ter, designar quais serão os profissionais que vão auxiliá-lo nesse controle”, orienta dr.  Hermelino.

Nas fases iniciais, a indicação é que o acompanhamento seja ir anualmente ao oftomologista fazer o exame de fundo de olho, mas se a doença já estiver bastante avançada, com a retinoplatia diabética já instalada e acometendo algumas alterações oculares, eventualmente o acompanhamento médico pode ser mensal ou trimestral. “É importante salientar que se você tiver o controle metabólico dessa doença, mantiver a glicemia e a pressão arterial controlada, você vai ter uma possibilidade pequena de precisar se consultar em um período menor do que um ano e dificilmente vai ter a progressão rápida dessa doença no seu olho”, pontua dr. Hermelino Neto.

Do ponto de vista nutricional, Dr. Hermelino afirma que o paciente de diabetes pode comer tudo desde que seja controlado. “O ideal para o paciente diabético é procurar um nutricionista que vai designar quais são os alimentos que ele pode ingerir e em qual quantidade. Ele pode até extrapolar com alguma coisa, mas depois, no dia seguinte, tem que ser mais rígido na sua dieta”, disse. “O importante no diabético é a conscientização de que ele não pode ter uma dieta com alimentos ricos em glicose, fazer o controle dietético da sua alimentação e também realizar atividade física”, considera.

“Na estatística brasileira acredita-se que 7 a 8% da população tem diabetes, então, a gente imagina que em Feira de Santana existem aproximadamente 50 mil diabéticos, o que daria para encher um estádio de futebol todinho. Porém, se você ampliar pela região metropolitana que pertence a Feira de Santana, nós vamos aumentar esse número para 150 mil pessoas acometidas dessa doença”, contabiliza o médico. “Eu imagino que todos nós devemos ter alguma pessoa próxima, conhecido ou amigo que tenha essa doença extremamente grave, incapacitante e corriqueira com a qual precisamos tomar precauções”, afirmou.

Dr. Hermelino Neto observa que o mutirão não é a única forma que o paciente diabético adquirir informação e deixa duas alertas: primeiro, que o paciente diabético tenha o cuidado com a sua saúde, porque com certeza vai aumentar a sobrevida e conseguir conviver com a doença; segundo, às pessoas que eventualmente acham que estão com a saúde em ordem, principalmente pessoas obesas, mas que provavelmente têm sintomas relacionados com diabete e deve fazer exame de glicemia e fundo de olho para poder ser detectada a doença.

Profissionais

Foram quase 700 profissionais envolvidos entre os setores administrativo, médico e de ensino da instituição organizadora, Hospital de Olhos de Feira de Santana (Clihon), além de parcerias com a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a Prefeitura Municipal, que contribuiu com a segurança no ambiente.

O diretor geral Cristiano Lobo conta que a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) é parceira do projeto de sucesso e participa com aproximadamente 70 alunos, além de professores de diversos cursos da área de saúde – enfermagem, nutrição, fisioterapia, odontologia e educação física. “É uma atividade de cunho educativo porque alerta as pessoas sobre o risco do diabetes e é importante também que exista essa atividade interdisciplinar, em relação à alimentação e aos hábitos saudáveis no intuito de prevenir uma doença tão séria que também faz parte do Novembro Azul”, disse.

O diretor afirma que o evento colabora com um processo educativo que alcança objetivos. “Os alunos têm os seus conhecimentos teóricos, têm embasamento fundamentado naquilo que é discutido em sala de aula e tem oportunidade fantástica de colocar em prática levando também um pouco de conhecimento e compartilhando numa ação social de tamanha magnitude”, declarou.

Depoimentos

Acompanhando o filho de 14 anos, Elenice descobriu a diabetes quando Ramon tinha 6 anos de idade. “A gente achou que ele estava vomitando muito por conta de uma virose, aí quando fomos fazer o exame com o pediatra, pelos sintomas ele viu que não era o caso da pediatria e sim endocrinologia, aí neste especialista foi diagnosticada a diabetes tipo 1”, contou.

Desde a descoberta, tudo mudou na rotina da família. “Desde o comportamento emocional, porque nós sentimos junto o que ele sente, até a alimentação que englobou toda a família e serviu como um alerta para todo mundo se cuidar também”, diz Elenice. Além de Ramon, um cunhado, o esposo e agora o filho são acometidos pela doença.

Ramon avalia como importante a existência do mutirão realizado pela Clihon, por ser uma oportunidade de realizar exame de glicemia e do fundo de olho, além de possibilitar informações para pessoas desde a sua faixa etária.

Já dona Ana Maria, aos 65 anos, descobriu a diabetes há dois anos e nesse meio tempo faz tratamento com remédio, dieta alimentar e caminhadas para se exercitar. Ela conta que costuma frequentar o posto de saúde para medir glicemia e, vê que a viabilização de profissionais no mutirão da Clihon, de forma gratuita, ajuda a comunidade “a ter conhecimento não só do diabetes, como da pressão, do dente, de tudo isso”, declarou se sentindo “gratificada”. Mais ninguém na família de dona Ana Maria é acometido pelo diabetes, o que a faz considerar a rotina difícil visto que o marido as vezes não se agrada com a dieta adotada.

Doença

O diabetes caracteriza-se pela deficiência na produção de insulina pelo pâncreas, uma substância que permite o aproveitamento da glicose (açúcar) contida nos alimentos para que ela possa ser transportada para dentro das células, sendo transformada em energia. Se a glicose não é absorvida, fica presente na corrente sanguínea, o que, em níveis altos durante muito tempo, ocasiona as complicações como cegueira (retinopatia diabética), doenças cardíacas (coronariopatias), renais (hipertensão arterial e insuficiência renal) e amputação dos membros (neuropatias e trombose).

De acordo com as organizações da área de saúde, a detecção precoce é vital. As campanhas de detecção para a população ajudam a descobrir casos de diabetes e prevenir complicações, em lugar de encontrar a doença por meio das complicações já instaladas, levando um impacto muito maior, não sobre a qualidade de vida do indivíduo, mas também sobre a sociedade em geral, em termos sócioeconômicos.


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