Urologista desmistifica questões sobre o exame e câncer de próstata

Dr. Antônio José Santiago falou sobre a importância da prevenção e o quanto a resistência ao exame diminuiu com a informação

Laís Sousa

O câncer da próstata, doença cuja prevenção é alertada na campanha Novembro Azul, foi discutido pelo médico urologista do Hospital Dom Pedro de Alcântara (HDPA), Antônio José Santiago, no programa Bom Dia Feira dessa sexta (09), que tirou dúvidas a cerca do exame de próstata e questões mais comuns que permeiam a cultura popular.

Embora ainda exista a resistência ao ‘toque retal’, o doutor aponta que diminuiu muito, especialmente com a explanação do assunto pela imprensa. “Eu tenho percebido que a resistência tem diminuído muito. Para você ter uma ideia, até as pessoas da zona rural têm feito o exame normalmente. Alguns ainda resistem porque têm o conceito de que ‘toque retal não é coisa para homem’, mas essa coisa está mudando”, observou.

Segundo Antônio Santiago, estudos quantificam que 40% dos homens que vão fazer exames se deve ao incentivo e acompanhamento das esposas. Existem ainda teorias que afirmam que “quanto mais atividade sexual se pratica, menos chance de câncer de próstata”.

Com aumento da expectativa de vida e avanço da medicina e tecnologia, as pessoas chegam a, em média, 80 anos, o que significa que 1 a cada 6 homens vão ser acometidos pelo câncer de próstata, em média 15%, segundo o médico. “O câncer de próstata é mais frequente, quase duas vezes mais, na população afrodescendente, por origem hereditária, cerca de três vezes mais, e a partir de 65 anos de idade”, relacionou fatores de risco. Feira de Santana acompanha a média do Brasil para casos diagnosticados.

Dr. Antônio Santiago diz que não se tem uma base sólida, mas a qualidade de vida influencia na prevenção de doenças e tipos variados de câncer. “Os bons hábitos alimentares, exercício físico vão aumentar nossa imunidade e a tendência é que diminua a possibilidade da doença”, disse. A ingestão de gordura, excesso de carne vermelha, enlatados podem somar negativamente para a desenvoltura do câncer de próstata.

A próstata normal pesa em torno de 20 gramas, mas pode apresentar elevação e não significar que o homem tem câncer de próstata. “A tendência na maioria dos homens é o crescimento da próstata desde que nasce, desenvolve especialmente na adolescência por causa dos hormônios – a testosterona que tem cerca de 90 % fabricado nos testículos. A gente intervém cirurgicamente ou com medicação quando essa próstata cresce e passa a apresentar sintomas como dificuldade para urinar, urinar várias vezes, colocar força pra urinar, irritação ou retenção urinária”, explicou o médico. “O paciente passa por um desentupimento do canal uretral, porque uma parte da uretra passa por dentro da próstata, chama-se uretra prostática, e em alguns homens, quando essa próstata cresce e comprime a uretra, causando a necessidade de tratamento”, completou.

Não existe uma relação ou parâmetro de peso ou tamanho para identificar câncer de próstata. O paciente pode ter alcançado os 150 gramas, mas não apresentar nódulo e ter Antígeno Prostático Específico (PSA) normal - enzima com algumas características de marcador tumoral ideal, sendo utilizado para diagnóstico, monitorização e controle da evolução do carcinoma da próstata.

A hiperplasia benigna da próstata não é um indicativo de que a pessoa possa vir a ter o câncer de próstata. “Na maioria das vezes o paciente tem uma próstata pequena, chega no consultório para fazer o exame de rotina e é detectado problema - algum nódulo, PSA alterado, então a partir da biópsia temos confirmação se damos seguimento ao tratamento”, conta.

O exame de rotina deve ser feito anualmente, segundo orientação da Sociedade Brasileira de Urologia. Os pacientes que apresentam fator de risco devem começar fazer a partir dos 45 anos. “Se cuidar cedo, se for todo ano fazendo o exame, conforme orientação do médico, caso você venha a ter um câncer você tem a chance de se descobrir na fase inicial e dessa forma a possibilidade de cura é de mais de 90%”, afirma o urologista.

O ‘toque retal’ é “um exame simples, você faz com um gel em 10 segundos”, conta o médico desmistificando a ideia de que seja um processo doloroso. No caso de tratamento do câncer, para remoção cirúrgica da próstata, o que costumava levar cerca de 3 horas dura atualmente 1:20h, identifica Antônio Santiago sobre o que considera apuração.


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