“Empresa familiar – ame ou deixe” desenvolve o sucesso a partir planejamento sucessório

O autor Michael Waller desenvolveu o livro a partir de pesquisas e experiência própria

Michael Waller, autor do livro “Empresa familiar: ame ou deixe” fala sobre a obra e suas motivações. “É um tema que sempre me causou interesse, que sempre pesquisei, mas realmente a motivação de escrever o livro partiu de uma experiência pessoal”, relatou no programa Bom Dia Feira desta quinta (08).

“Há 16 anos, em 2002, eu e meu pai abrimos uma empresa e vínhamos tendo um crescimento anual permanente até que, em 2012, nós projetamos um plano de situação que, no ano seguinte, começou a nos dar muitas dificuldades de gestão. Fomos atrás de uma empresa de consultoria especializada em empresas familiares e, quando nós começamos esse trabalho, acreditávamos estar vivendo uma grande crise financeira junto de algumas dificuldades de relacionamento, depois que passou esse processo, olhamos para trás e percebemos que era o contrário, nós estávamos com uma grande crise de relacionamento família-empresa envolto de pequenos problemas financeiros”, conta.

A desenvoltura voltou a acontecer na empresa da família no momento que foram estabelecidas regras e começaram a discutir sucessão, papel pai e filho e como se dariam algumas decisões. “A gente viu que resolver a questão de gestão financeira foi muito simples. Então desse ponto de conflito a gente conseguiu amadurecer a relação profissionalmente e também afetiva para passar por essa fase de dificuldade”, explica sobre como surgiu o desejo de compartilhar o aprendizado com outras famílias.

O autor destaca a existência de várias pesquisas, mas uma específica, realizada pelo SEBRAE, que diz que 70% das empresas familiares no Brasil fecham as portas no primeiro processo de sucessão de pais para filhos e apenas 30% consegue continuar a vida da empresa gerida pelos filhos; Na segunda sucessão, que seria dos filhos para os netos, apenas 5% sobrevivem. “É realmente um assunto que tem que ser falado e no Brasil é pouco comentado, apesar de 90% das empresas serem de origem familiar. Quando a gente vai buscar na literatura, principalmente na Espanha e Estados Unidos, estão estudando o assunto há décadas, têm faculdades especializadas em gestão de empresas familiares. São dados preocupantes e assunto que empresas e a família têm que abordar de forma mais ampla”, defende.

Questão que Michael Waller afirma ser recorrente em eventos e palestras para as quais é convidado e afirma focar no livro, são as razões que levam ao insucesso. Tendo em vista que cada família vai ter que fazer um trabalho para entender as problemáticas e diagnosticar a situação, de forma mais genérica ele acreditam que dois motivos são mais decorrentes: “Um é o despreparo do sucessor – muitas vezes o filho não participa do negócio, foca nos estudos ou em outro caminho e quando o pai ou mãe atinge uma idade avançada e deseja se aposentar, ele vai se inteirar das questões e do negócio em um estágio de tempo já complicado; Outra situação é que muitas vezes o pai ou mãe tem um discurso de querer se afastar e ter uma vida tranquila fora das obrigações da empresa, quer ‘passar o bastão’, mas, ao mesmo tempo, não dá autonomia para os filhos, não deixa que ele tome ou participe das decisões”, aponta.

Michael Waller considera que a responsabilidade maior de abrir um canal de debate sobre a sucessão é do líder, do pai ou mãe como fundador do negócio, uma vez que, dificilmente, vai partir dos sucessores a iniciativa de convidar ao diálogo ou a manifestação do desejo de se responsabilizar pela função e exercício. “Dando uma palestra em Lagoa Vermelha – RS, um pai me falou uma coisa interessante: A maioria dos pais e das mães preparam herdeiros, quando na verdade deveriam preparar investidores. Eu achei interessante porque, realmente, os filhos têm que ver o negócio como um investimento, saber que tem riscos e que se não participar, o negócio não vai dar lucro sozinho”, observou em entrevista.

O segredo, segundo o autor, é envolver o sucessor o mais cedo possível no empreendimento. “Meu pai comenta que, com alguma frequência, amigos e outros empresários lhe perguntam como ele conseguiu me fazer sucedê-lo e gostar do negócio. Ele sempre responde que foi natural porque desde quando era muito jovem ele me trouxe em funções operacionais básicas me deixando muito próximo”, observou.

Sobre o livro

Michael Waller explica o que entende por provocação colocada no subtítulo do livro: “Ame ou Deixe” é colocado porque atualmente existe “pouca dependência das pessoas com as empresas”. “Antigamente se entrava em um emprego com a intenção de fazer carreira até a aposentadoria, hoje isso é muito raro e as pessoas trocam de emprego de acordo com as suas necessidades”, pontuou.

“Por mais que na empresa familiar se espere que os filhos sucedam o negócio, antes dessa obrigação deve haver um tipo de identidade e vocação, não adianta permanecer somente por questão financeira ou por status. Tem que haver uma etapa de autoconhecimento, de reflexão da família para saber quem é o familiar que deve suceder e levar a empresa à frente, ou se deve reconhecer que não há essa pessoa na família”, orienta.

No livro, o capítulo “Sucessão na prática” tem 9 condutas que foram fundamentais para que a sucessão ocorresse no caso da família do autor. “Eu acredito que são práticas válidas para a longevidade da empresa familiar”, garante. Dentre estas, Michael cita a criação de um canal de comunicação permanente na família para se debater o futuro negócio e evitar a participação de familiares no negócio para que não vire um ‘cabide de emprego’ - ter uma política de admissão, carreira e por competência, semelhante a quem não tem vínculo familiar.

O autor conta experiência em que um empresário do agronegócio em Santa Catarina lhe contou ter três filhas e três genros que estão no mesmo negócio de fertilizantes - ele elogiou o livro “Empresa familiar: ame ou deixe” e disse que comprou uma unidade do livro para cada integrante da família, para que possam debater sobre o assunto.  “A gente tem casos tanto de pais que não tem o herdeiro próximo, como aqueles casos que têm vários herdeiros e interessados em querer a função”, apontou Michael Waller.

A questão de vender empresas pela ausência de sucessores aptos e vocacionados também é tratada no livro e compreendida pelo autor, em alguns casos, como o melhor caminho. “Ao mesmo tempo, a venda é muito dolorosa, não é um processo simples e dificilmente o fundador vai receber o que ele acha justo e merecido por anos de trabalho”, reconhece.

Conteúdos como a construção de carreira ascendente e angariar postos de liderança quando não é parte da família numa empresa familiar também pode ser encontrados nas 136 páginas.

Lançado pela editora Reino Editorial – SP, o “Empresa familiar – Ame ou deixe” pode ser facilmente adquirido pelo site oficial www.ameoudeixe.com.br com frete grátis ou em lojas de venda online por R$ 39.

Sobre o autor

Michael Waller iniciou sua carreira no segmento de tecnologia da informação em 1995 e participou juntamente com seu pai da fundação do Grupo Cybersul em 2002, organização focada no desenvolvimento de softwares corporativos e soluções web com mais de 2.500 clientes corporativos em todo país. No Grupo Cybersul o autor desempenhou diferentes funções operacionais e de gestão dentro do negócio, sendo que, atualmente ocupa o cargo de Diretor Executivo da empresa. Michael é bacharel em Administração de Empresas (PUC), MBA em Administração de TI (UNISINOS), Especialista em Marketing de Serviço (ESPM), MBA em Gestão do Comportamento Organizacional (UNISINOS) e Pós-MBA em Inteligência Empresarial (FGV).


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