A DEMOCRACIA QUE TEMOS E A DEMOCRACIA QUE QUEREMOS

Foto: Divulgação



 


A DEMOCRACIA QUE TEMOS E A DEMOCRACIA QUE QUEREMOS

 


A democracia como modelo de regime politico, vive atualmente a sua maior prova de fogo desde as colunas do Partenon construídas por Péricles. Nunca se viu ao longo da história tanto uso dos valores da democracia para justamente refrear a democracia naquilo que ela tem de mais importante: o respeito ao contraditório e as minorias, liberdade de pensar e não ser recriminado por isto, enfim, saber viver e conviver e também aceitar que temos uma sociedade pluralista, que aquele que não comunga com os meus valores não é o inimigo que devo varrer da face da terra.

 


Nos √ļltimos cinco anos ascendeu aos governos do mundo uma horda de pol√≠ticos que se utilizam dos instrumentos da democracia para justamente impor conceitos e valores antidemocr√°ticos. Os exemplos s√£o muitos seja eles de esquerda, exemplo crasso e pr√≥ximo a Venezuela, ou de direita como a Pol√īnia e a Hungria. E tal fen√īmeno chegou aonde jamais se pensou. Refiro-me a uma das mais est√°veis e consolidadas democracias do mundo, a Inglaterra. Onde seu primeiro ministro Boris Johnson suspendeu o funcionamento da C√Ęmara dos Comuns simplesmente por temer o adiamento do Brexit. Tal fato nunca aconteceu no parlamento ingl√™s, a ponto do judici√°rio em uma decis√£o in√©dita afirmar que a jogada politica do cabeludo e despenteado chefe de governo, √© ilegal.

 


Os EUA n√£o ficam fora desta hist√≥ria. N√£o que a maior democracia do mundo esteja sofrendo abalos, longe disto. Mas eles t√™m um presidente que afronta de forma constante e intransigente o congresso americano. Tanto que o Trump desafiou os deputados a irem a diante com o seu impeachment em raz√£o dele pedir a um presidente estrangeiro em seu pa√≠s, no caso a Ucr√Ęnia, investigar o filho de seu prov√°vel opositor nas pr√≥ximas elei√ß√Ķes presidenciais por suspeita de corrup√ß√£o. A lei americana pro√≠be tais atitudes. Enfim, Trump representa o que h√° de mais atrasado e retr√≥grado da politica americana.

 


E o Brasil como fica nesta toada internacional? Ocupa lugar de destaque. E n√£o √© por culpa do atual governo. Isto j√° vem de algum tempo. Os governos petistas foram craques em se utilizarem dos mecanismos democr√°ticos para se perpetuarem no poder. E utilizavam com muito esmero o aparelhamento estatal como cond√£o de suas a√ß√Ķes de perenidades politicas e administrativas. Primeiro advogavam que detinham o monop√≥lio das virtudes, por isto se mostravam como a melhor e √ļnica op√ß√£o politica. O advers√°rio deveria ser destru√≠do e extinto da fauna politica. Todos que eram contra sua linha de governo, eram malditos. Criou-se a ideia de ¬ďn√≥s x e eles¬Ē, sendo ¬ďeles¬Ē a velha politica e seus lideres e tudo que representasse o conservadorismo politico, entendendo como conservador aqueles que estavam no comando das oligarquias politicas. N√£o demorou muito, para continuar com seu projeto de poder, teve que abra√ßar aqueles que tanto combatiam e os tornou o seu mais novo velho amigo de inf√Ęncia politica. A companheirada descobriu que n√£o se governa sem oposi√ß√£o. Entram neste rol Sarney, Color e companhia.

 


O povo brasileiro cansados deste cen√°rio, que levou ao desastre econ√īmico, surge o ant√≠poda da toada petista: o atual presidente. O ¬ďn√≥s¬Ē sai de cena e entra os ¬ďeles¬Ē. O discurso √© de contrapor contra a ideologia de esquerda e por fim a amea√ßa de que o socialismo estaria com planos de se tornar definitivo em terras tupiniquins. Pensado eles, que PT foram algum dia socialistas no seu sentido verdadeiro, coisa que nem chegaram perto. Mas no imagin√°rio dos que derrotaram a esquerda brasileira, o comunismo era uma realidade amea√ßadora. Ide√≥logos desta bobagem logo cresceram de import√Ęncia, vociferando l√° da Virg√≠nia que havia comunista at√© debaixo da cama de asilo de velhinhos.

 


O governo brasileiro atual, refrat√°rio a tudo que foi feito pelos governos petistas, tem se comportado como o sinal trocado das ideias esquerdistas, mas com uma vis√£o pior dos fatos que o arrodeia. Elegeu-se como mote de sua governan√ßa, os costumes, o fundamentalismo tosco e a detratar todos aqueles que n√£o comungam com suas vis√Ķes de mundo. A defesa da ditadura brasileira e de outros pa√≠ses n√£o soa nada democr√°tico, mas √© recorrente nas falas presidenciais. Paira na sua cabe√ßa que mundo vive atualmente uma amea√ßa global do socialismo. Vindo n√£o sei de onde, mas seus ac√≥litos n√£o tiram isto de suas mentes. Inventaram at√© um neologismo para dar certo ar de intelig√™ncia, mas que n√£o passa de uma bobagem sem profundidade intelectual: globalismo.

 


Em torno disto tudo, autoridades das mais diversas matizes administrativas e jur√≠dicas passaram a detratar o parlamento brasileiro e as demais intui√ß√Ķes, chamando-as dos mais improv√°veis improp√©rio. Lembro aqui os ¬ďGolden boys¬Ē da Lava Jato que ora por outra desancavam o Congresso Nacional e o STF como se fossem eles a m√£o que salvaria o Brasil da corrup√ß√£o, coisa que nenhum brasileiro lhes deu esta miss√£o. Esquece-se os mesmos, quem assim se comporta n√£o entende e despreza a democracia. N√£o h√° salva√ß√£o politica, e democracia saud√°vel, que n√£o seja atrav√©s do parlamento. Ademais n√£o cabe a certas autoridades jur√≠dicas ficar fazendo proselitismo jur√≠dico, em redes sociais, principalmente quando estas exercem atividades de Estado.

 


O que vemos hoje no Brasil √© uma hoste de pseudo iluminados tentando ¬ďsalvar¬Ē o pa√≠s atrav√©s de senten√ßas e processos judiciais, como se a democracia n√£o tivesse mecanismos de controle para os desarranjos sociais. Essa gente usa os mecanismos democr√°ticos para tentar impor uma ordem quando na verdade n√£o legitimados para tanto. Mas eles preenchem um vazio que a elite politica vinha desprezando por um bom tempo. Conversa que deixo para outra ocasi√£o.

 


Neste caldeir√£o de enfrentamento contra a democracia surgem figuras que levadas por um messianismo de botequim, se comporta como um d√©spota das virtudes, onde tenta impor projetos pol√≠ticos sabidamente antidemocr√°ticos e por n√£o dizer contr√°rios a CF. Falo do ministro Moro, que segundo entrevista na √ļltima sexta-feira no site UOL, Rodrigo Maia, presidente da C√Ęmara dos Deputados diz com todas as linhas: ¬ďMoro tenta acuar as institui√ß√Ķes democr√°ticas do pa√≠s¬Ē. Tai um exemplo de usar a democracia para justamente destruir a democracia, quando insiste um ministro da justi√ßa em aprovar uma lei que permite licen√ßa para matar e outra sandices no pacote anticrime. Devemos abri os olhos e decidir qual a democracia que queremos.

Compartilhe

Coment√°rios