COMO IDENTIFICAR UM POLITICO AUTORITÁRIO OU UM PROTOFASCISTA

Foto: Divulgação

Tem sido muito comum ouvir detratores das diversas matizes políticas, taxar seus adversários de fascistas. Tais palavravas ditas de forma verborrágicas não se aplica a quem é qualificado desta forma. O fascismo como corrente ideológica não se encontra hoje no Brasil e nenhuma das personalidades políticas mundiais, portanto é um exagero enquadrada-los neste epíteto. O regime político liderado por Mussolini na Itália era ditatorial e não se encontrava qualquer sinal de democracia nos seus atos. No entanto, vê-se aqui ou ali o uso de seus símbolos e estratégias em uma gama de políticos pelo mundo, mas que nada se compara aquilo que viveu o povo italiano no início do século XX.

 

Porém podemos identificar atitudes e atos de políticos mundo afora que em muito se assemelham ao que pregava o fascismo como estética política facilmente identificável, mas que na verdade, repito, não se pode e nem deve qualificar como fascismo puro, na sua essência.

 

Então vamos lá. O candidato a autoritário como político numa democracia tem características que podem ser observadas. São elas.

 

Primeiro o político se apresenta como o indivíduo salvador das mazelas de um país. Tem como mote inicial e uníssono o combate a corrupção. Para ele, todo o sistema, e sabe-se lá o que isto significa, está corrompido. É preciso tirar os que estão no poder porque eles não representam mais os anseios da população. Os governantes que estão no poder e seus antecessores são corruptos e o povo não aguenta mais tanta sujeira. Lança-se candidato da salvação nacional. Não procura alianças, pelo contrário, os bons na sua visão é que devem procura-lo para construir uma nova nação, afinal, segundo seu pensamento, a política e os políticos estão todos corrompidos. Discursos inflamados e vituperando contra tudo e todos é o meio de se comunicar e buscar votos. Não tem o mínimo pudor de usar os princípios da democracia para atingir seus objetivos políticos.

 

A sua origem por muita das vezes, mas isto não é regra, são das forças armadas. Pertencia a ela, e não mais é militar, seja porque saiu espontaneamente ou porque foi expulso da corporação por indisciplina. A plataforma política do candidato a autoritário se baseia no tripé de combate a corrupção, enfatizar os valores da família tradicional a despeito de outras conformações familiares e uma postura conservadora em relação aos costumes e as práticas políticas. Mesmo que o conceito de conservador não seja o que ele realmente pensa que é. Soma-se a isto a ideia de armar a população a pretexto de garantir a sua segurança pessoal.

 

Uma vez eleito, passa a depor contra as instituições que insistem em pôr freios as suas promessas políticas. Ao demonizar os outros poderes políticos, se escora no argumento de que não o deixam cumprir com suas promessas. Estas mesmas instituições na verdade, o que querem é derrubar o seu governo, pois, eles representam aquilo que combatia quando ainda era candidato. Na verdade, o confronto com os outros poderes é justamente para desequilibrar a harmonia e com isto trazer para si a condição de senão acabar com elas, ou então, em última análise, desacreditá-las a ponto de pôr a população contra o Legislativo e o Judiciário e com isto dar um salto político de se possível perpetuar no poder.

 

Outra condição. Uma vez encastelado no poder através de eleições livres, é centrar os ataques a imprensa. Todas as notícias que criticam ou apontam os seus erros, é porque simplesmente não comunga com os valores do autoritário no poder, portanto, é visto como suja e porca. Seus jornalistas são todos comunistas. A grande mídia na cabeça do chefete, é porta-voz das instituições e dos políticos que ele combate desde de sua candidatura política. Não interessa a ele uma imprensa livre. Ela até pode ser, contanto que sirva de canal para a propagação de sua ideologia.

 

O candidato a autoritário se utiliza da comunicação como instrumento para expandir sua ideologia e seus valores. Na atualidade, as redes sociais têm este papel crucial. Elas servem para combater o inimigo, que é imaginário para a cabeça do autoritário. Significa que ele pode manter contato direito com os que o elegeram e disseminar toda sorte de mentiras e teorias da conspiração. Afinal todos querem derrubá-lo, e a internet é a sua trincheira para atiçar seus militantes na defesa dos valores que ele defende e o fizeram chegar no posto mais alto do poder. Sustentados por seus apoiadores digitais, passa a negar os valores que formaram a sociedade. Primeiro a ciência e seus cientistas, depois escritores, artistas e intelectuais que não comungam com sua cartilha. Sua visão de mundo é dual. Os que o apoiam e os demais um bando de esquerdistas que querem destruir o país.

 

No cargo de chefe do executivo, é urgente buscar aliados no exterior. Claro que somente aqueles que se identifica ideologicamente. É preciso construir uma nova ordem mundial. Aliados estrangeiros servem para mostrar identidade e proximidade perante ao eleitorado. As organizações internacionais multilaterais servem apenas para impor valores esquerdóides, financiadas por países de mesma ideologia, segundo seu entendimento de mundo. Há na verdade, segundo o autoritário, um grande complô liderados por potências econômicas que tenta impor de forma hegemônica a destruição dos demais países que lutam pelos valores tradicionais da família e da pátria.

 

Por fim para compor o quadro final do candidato a autoritário ou protofacista utiliza o patriotismo exacerbado, como mote para suas digressões políticas. Esquecendo-se ele que o grande Samuel Johnson, intelectual inglês do século XVIII já dizia: “o patriotismo é o último refúgio do canalha”.

 

Como se vê caro ouvinte, tais características não apontam que alguém seja visto como fascista no seu sentido puro na forma concebida na Itália no começo do século XX. Mas a sua estética e sua linguagem do ponto de vista filosófico e político ainda se reproduz em muitos lugares no mundo. Basta olhar em volta.

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