FELIZ 2020?

Foto: Divulgação

Chegamos a penúltima semana de 2020. Virou chavão nas semanas que antecedem a chegada do ano que se avizinha fazer reflexões sobre o que passou e o que esperar para o próximo. No entanto, o ano de 2020 será lembrado pelos dissabores e as incontáveis dificuldades humanas ao qual fomos submetidos. Os motivos são por demais conhecidos. Algumas figuras que incrementaram os dissabores de 2020, passarão despercebidos, outros, porém, ficarão no imaginário e outro grupo nas páginas dos livros de história, não como heróis obviamente.

 

Os acontecimentos do ano que se aproxima de seu fim, serviram para nos mostrar confirmações de atitudes e comportamentos de personagens que já eram por demais conhecidos e tornaram-se recorrentes. Foi, enfim, o ano da confirmação daqueles que sempre se comportaram de forma infame e pouco se lixaram se estavam agindo corretamente ou não. E infelizmente são muitos. Darei aqui exemplos, não pelos bons motivos, até porque não são exemplos a serem seguidos, muito pelo contrário. Mas deixaram um legado digno de tristeza.

 

Tivemos ao longo deste ano um ex magistrado e ministro da justiça, confirmar aquilo que já vinha dizendo desde o longínquo ano de 2018. Seu completo desconhecimento das normas, mas por outro lado, pousava para seu cordão de puxa sacos como exemplo de moralidade e conhecimento jurídico. Neste ano se comprovou que não tem ambos. Fui profético? Longe disto. Apenas constatei aquilo que uma plêiade de abestalhados se negavam a reconhecer.

 

Pulou fora do barco da governança federal quando viu que suas pretensões políticas já não encontravam mais espaço. Conseguiu sair pior do que entrou na vida pública. Incompetente e com conhecimento jurídico abaixo de zero não conseguiu emprego em nenhum escritório de advocacia. Ficou vagando aqui e ali e dando palpite em tudo aquilo que não entendia ou não foi perguntado. E de repente, e não menos que de repente se tornou sócio de uma empresa que atuava na defesa de uma outra empresa ao qual ajudou afundar quando era magistrado em Curitiba.  A ironia das ironias, atualmente é sócio de uma off shore. O bastião da moralidade mostrou a sua face. Este ano foi a confirmação de tudo aquilo que apontei de sua conduta pública. Será esquecido pela história e ocupará lugar de destaque na insignificância.

 

Outro destaque negativo, mas que nunca foi surpresa, pelos menos para mim. Não podia ficar fora de qualquer lista das pessoas que deveriam ser esquecidas para sempre, mas infelizmente vamos ter que aturar, pelo menos até 2022. Falo do napoleão de hospício com enormes camadas de profeta do atraso e tirado a milico. Sim, falo do ocupante atual do Planalto. Suas falas decrépitas acerca do maior mal que assola a humanidade nos últimos anos é apenas a confirmação que a burrice e a ignorância pode sim estar reunida em uma única pessoa. Nada fez para combater a Covid 19. Muito pelo contrário. Negou a sua existência e letalidade da doença. Incentivou o uso de medicamentos que o mundo inteiro negou a sua eficácia e ainda encontrou um bando de debilóide que defendia o seu uso. Num espaço de três meses teve três ministros da saúde. O último e atual de tão ruim não merece nem como citação de rodapé em manual de incompetência. E como não estou sozinho nesta análise reproduzo o que escreveu o colunista Elio Gaspari na sua coluna de ontem na Folha de São Paulo: Não há uma só fala do Jair Bolsonaro que tenha contribuído para o bem-estar da saúde nacional desde o começo da pandemia. Suas falas são um desastre em todos os sentidos. Nada se aproveita. Não tem uma só semana que suas falas bestiais ecoam nas redes sociais e encontrem descerebrados que aplaudam.

 

Poderia me estender aqui neste espaço nominar outras figuras que emplacaram o ano que os piores de uma era. Não vou lembrá-los porque são figuras decrépitas que devem ser esquecidas por tudo que não fizeram e por terem contribuído para o legado de atraso que ainda persiste em nosso país. Esta duas que fiz referência são as que mais contribuíram para o estado de miserabilidade moral e intelectual que assola o Brasil. São personagens que concentram o que há de pior que uma figura pública pode nos mostrar. São entes que glorificam a ignorância, o preconceito, a burrice e a sabujice em seu maior grau. Serão relegadas ao lixo da história, se já não estão.

 

O ano de 2020 não foi apenas difícil. Foi extremamente desafiador. Passamos a lidar com uma doença desconhecida e letal. E diferentemente de outros países, ainda tivemos que aturar pessoas que disseminavam a burrice, a desacreditar na ciência, propalar o preconceito e a desinformação como instrumento de confirmação de uma política voltada para o extremismo. Um caldeirão de idiossincrasias sorvida em doses cada vez maiores e partilhada para um grupo que acredita que está no caminho certo e o restante do mundo é um equívoco.

 

Encerro o ano afirmando de que muito mais que vacina, precisamos afastar a mediocridade e o atraso moral fantasiada de modernidade, tendo como capitão, e aqui não é um mero trocadilho, o seu mais fiel condutor. Ele continuará, não se sabe até quando a exalar a sua verborragia vulgar e inconsequente. Mas somos superiores e o bom senso vencerá. O ano que se avizinha será muito mais difícil do que este que está passando. Sobreviveremos. Afinal a inteligência e o pacto civilizatório construído a duras penas triunfará. Resta apenas desejar a todos um ano de paz e de muitas conquistas aos que me leem e me ouvem. Até 2021.

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