MEU MUNDO, E NADA MAIS

Foto: Divulgação

Existem pessoas que por mais que tenha alcançado sucesso profissional, ou tenha atingido o topo em suas carreiras, ainda assim tem uma visão medíocre de fatos que acontecem ao seu redor, ou então, muitas vezes sua estreiteza intelectual lhe basta para acreditar nas suas convicções que carrega em seu íntimo e com isto tenta incutir aos que o cercam com tolices ditas sem nenhuma reflexão. Até porque sapiência não é um ativo presente em suas vidas.

 

Quando vemos as ações do presidente Bolsonaro na república, é de se admirar que ainda existam seguidores. Mas até este fenômeno é explicável, porque seus seguidores são muito pouco afeitos a reflexões mais profundas. Não passa dia sequer que não haja por parte do presidente da república uma grossura, opinião preconceituosa, uma mentira deslavada ou então inventar uma teoria da conspiração. Ontem, por exemplo, no encontro dos países do BRIC’s, o discurso dele beirou o ridículo. Obviamente que ele não escreveu aquilo que leu, pelos motivos que todos já sabem, mas esta esposado numa ideia equivocada e contrária de como um presidente da república deve se portar no tabuleiro internacional das nações.

 

Começou dizendo que iria apresentar uma lista de países que compram madeira ilegal contrabandeada da Amazônia. Tal lista segundo o discurso patético, tem países que arvoram a apontar o Brasil negligente com desmatamento de suas florestas e ainda assim a compra madeira clandestinamente. É uma pena que os baluartes em relações internacionais que rodeiam o presidente, a única coisa que provavelmente conhecem de relações exteriores é ter provavelmente jogado war na infância e ao que parece eram maus jogadores.

 

Primeiro e isto é o be-a-bá de entendimento nas relações internacionais: países não compram madeira, mas empresas. Se compram de forma ilegal, é porque aqui não tem fiscalização que impeça. Tá difícil entender ou será que terei que desenhar. Em situações como esta, primeiro aperta a fiscalização, e em ato contínuo se busca criar uma parceria com os países para promover um combate ao contrabando, para em uma ação conjunta atuar de forma dura e assim coibir qualquer ato criminoso. Agora, dizer que países compram madeira ilegal, beira a estultice. Somente a plêiade de incompetentes em diplomacia que cercam o presidente levanta uma premissa desta ordem.

 

Quando o presidente ataca de forma destrambelhar e gratuita a Europa, um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, pode desaguar em barreiras comerciais que podem diminuir o saldo da balança de exportações afetando a economia como um todo. Com este discurso burro e belicista, as chances hoje de ter o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia aprovado é abaixo de zero. E muito provavelmente não irá acontecer enquanto houver esta política de isolamento internacional, baseado numa ideologia tosca e sem sentido.

 

Por sua vez a ideia de promover acordos bilaterais que vinha sendo a tônica do governo Bolsonaro, na contramão do jogo internacional, no discurso de ontem o presidente da república lançou a ideia de que deve haver reformas nas organizações internacionais multilaterais a exemplo da OMS, OMC e a ONU. Inclusive com mudança no conselho de segurança desta instituição. Quem dava as costas a práticas multilaterais entre os organismos e países foi uma guinada e tanto. Mas da forma como foi proposta no discurso de ontem, apenas acentua o distanciamento e isolamento diplomático que o Brasil vive hoje no mundo.

 

Nas organizações internacionais, o Brasil tem perdido a sua importância que foi construído ao longo do século XX, motivada por políticas equivocadas desde os governos petistas. No entanto no grau que atingimos no governo Bolsonaro não tem paralelo. Primeiro foi a aderência incondicional ao presidente Trump, aquele pateta que se recusar a reconhecer que perdeu as eleições e sempre que pode mimetiza as falas do americano. Depois passou a atacar o maior parceiro comercial brasileiro: A China. E no encontro de ontem, não perdeu a oportunidade, voltou a desancar o país asiático.

 

O presidente da república sempre que tem oportunidade nestes encontros internacionais se utiliza para abordar a “liberdade”. Seu monólogo neste tema enfatiza das supostas ameaças que a sua falta pode trazer. Não se tem no horizonte das nações civilizadas um perigo eminente de supressão das liberdades. Mas ao trazer esta expressão em seus discursos, não se enganem, é método. É uma expressão muito dita aqueles que candidatam a serem autoritários em suas práticas políticas. E a história está cheia de exemplos.

 

Voltando ao seu discurso no encontro do BRIC’s, o presidente Bolsonaro também defendeu a preservação da “soberania nacional”, como se houvesse uma ameaça latente a este princípio. Mas faz apenas para atender a sua ala extremista que louva este tipo de discurso. É para mostrar a sua claque que aqui tem macheza na defesa dos interesses nacionais. Agindo assim somente aumenta o isolamento do Brasil.

 

Mas uma coisa ficou patente, e os idiotas que aplaudiram o discurso de ontem no encontro internacional com a Rússia, China, Índia e África do Sul, esqueceram que o ingresso do Brasil na OCDE não vai acontecer tão cedo. Atacando gratuitamente a Europa, desprezando a vitória de Biden nos EUA, a porta não só ficou estreita, como também ficará fechada por um longo tempo. 

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