Preparo? Para quê?

Foto: Divulgação

Para exercer qualquer função, é necessário estudo e preparo. O médico, passa seis anos na faculdade se preparando para atender qualquer paciente que esteja com um resfriado comum, ou com um ferimento simples que precise de pontos. Se ele quiser se tornar especialista em alguma área dentro da medicina, são, no mínimo, mais dois anos de estudo, chamados de residência, nos quais, muitas vezes, ele trabalha até de graça para garantir o aprendizado. O advogado passa 5 anos na faculdade para se tornar bacharel em direito, e ainda se submete depois a uma prova da Ordem dos Advogados do Brasil, na qual 40% ficam pelo caminho (dados de 2020) e só 18,5% das pessoas são aprovadas na primeira tentativa, segundo o instituto FGV, que aplica o teste. Eu mesmo, para estar aqui neste portal escrevendo este artigo, passei 4 anos na faculdade de jornalismo, e estou há 14 anos nesta área, lendo, errando, aprendendo, me informando diariamente sobre todos os acontecimentos, além de estar sempre buscando me atualizar sobre o jornalismo e as novas tendências do mercado em que eu estou inserido.

Dito tudo isso, e citados os 3 exemplos, entre milhares outros cargos e profissões, deixo uma pergunta. Por que não precisa de nada disso para ser político? Não há qualquer filtro para ser candidato a vereador, prefeito, deputado ou presidente. Não são cargos nos quais se exige estudo e preparo. Não precisa ser especialista em nada e nem ter qualquer conhecimento específico. Basta ser popular e conseguir convencer as pessoas a votar.

Não estou com isso, dizendo que todos os políticos são despreparados. Existem políticos preparados e competentes, mas gostaríamos que fossem todos. Sabemos que a exigência de um diploma não seria garantia de preparo, mas diminuiria a chance do erro. Dá para resolver isso apenas escolhendo votar nos que são, realmente, preparados? Claro que sim. Mas o eleitor, de modo geral, vai fazer isso? Aí são outros quinhentos. E enquanto isso não acontece, a gente segue tendo a chance de entregar o destino do país, estados e municípios a alguns que, muitas vezes, não têm nem a noção do papel deles. Mas são eles que definem as condições de trabalho do médico que tanto estudou para salvar vidas, fazem as leis que são defendidas pelos advogados, que se prepararam tanto para seus trabalhos, e que definem com os seus trabalhos (ou a falta deles) o nível de qualidade de vida de todos nós.


Compartilhe

Comentários