CANUDOS EM CORDEL - II

Foto: Divulgação

Contam que Antônio casou-se
Quando era jovem ainda
Com u'a moça sua parenta
Branca, simpática e bonita,
Corpo esbelto, fonte erguida,
Era o gozo de sua vida
E o seu nome era Olindina.
 
Dizem que Antônio viajava
Percorrendo a freguesia
Pois era funcionário
De certa exatoria,
Era cristão de batismo
Recebia todo dízimo
Imposto da monarquia.
 
Pelo ano de sessenta
Antônio deixou Quixadá
Pois no açude do Cedro
Foi operário de lá,
Na seca do Cariri
Mudou-se para Aracati
Também lá no Ceará.
 
E fez parte na política
Porém o mal sucedeu,
A mulher o abandonou
Foi por quem mais sofreu,
Disparou sem ter destino
Cortou o sertão nordestino
E em Crato apareceu.
 
Depois tornou a sumir
E em Exu reapareceu
Na casa do escrivão
Por ali permaneceu,
Notava-se algum desdém
Mas não contava a ninguém
O caso que aconteceu.
 
Dessa triste retirada
Foi ressurgir em Salgueiro
Magro, triste, macambúzio,
Encontrou um companheiro
Deu-lhe abrigo e de repente
Sumiu que aquela gente
Não soube mais o paradeiro.


José Aras, poeta euclidense.

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