A FEIRA QUE VIVI - X

Foto: Divulgação

Nunca houve em Feira campanha política mais acirrada que a de 1962. João Durval (UDN) e Chico Pinto (PSD), acompanhados de candidatos à vereança bem situados socialmente e representativos dos distritos disputaram o eleitorado feirense.

Lomanto Jr e Waldir Pires, candidatos ao governo do estado, com seus postulantes aqui a deputado estadual e federal Wilson Falcão e Hamilton Cohin, Gastão Pedreira e Henrique Lima Santos, eram partícipes do embate. Aspirantes à Assembleia Legislativa, representando o PRP, José Falcão; o PTB, Fernando Alves, ex-promotor e o PSB,

Para gestor foi eleito Chico Pinto por pequena margem (63 votos), apurados em urna controversa da Rádio Cultura.

Chico Pinto convocou dois vereadores (Colbert e Jackson do Amaury) para serem secretários de obras e de saúde respectivamente, e preencheu as demais secretarias (3) com pessoas que entendeu competentes.

Deu início a um processo popular de administração. Escolha pelos moradores das obras a serem realizadas pela Prefeitura, lavandeira e farmácia populares, instalação do ginásio municipal sob a direção do competente Cel. Alfredo Coelho, a formação do Centro Popular de Cultura, e várias outras iniciativas importantíssimas.

No ano de 1963, João Goulart levou a Justiça do Trabalho para o interior dos estados. Na Bahia foram instaladas Varas (JCJ) em Feira, Jequié, Conquista, Santo Amaro, Alagoinhas e Itabuna. Um feirense assumiu o cargo de juiz federal na cidade.

A queda do ditador Fulgêncio Batista e a assunção de Fidel Castro em Cuba, a primeira missão especial realizada pela Rússia, os conflitos nacionalistas da África que conferiam à União Soviética uma iminente supremacia mundial vinham radicalizando as posições políticas em todo o mundo, especialmente em nosso país. A renúncia de Jânio Quadros e a assunção de João Goulart, seu vice, tido como comunista, agravaram o quadro político.

Francisco Julião e suas Ligas Camponesas, na Paraíba, o educador Paulo Freire com seu método revolucionário de educar, os Grupos dos 11 que Brizola criava, a participação de estudantes secundaristas e universitários em movimentos políticos e a agitação sindical de marinheiros provocaram e amedrontaram os conservadores, que envolvendo as Forças Armadas, sob a falácia de uma iminente república sindicalista, derrubaram o presidente João Goulart, em abril de 64, forçando Senado e Câmara a decretarem a vacância do cargo, e empossando o presidente da Câmara. Poucos dias depois, assumiu o triunvirato militar.

E aí um cataclisma desabou sobre Feira.


Por: Pedro Cleto

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