Monitorados e controlados

Foto: Divulgação

Me permiti assistir o documentário, disponível no Netflix, que todo mundo tem comentado. Intitulado de 'O dilema das redes', ele trata sobre como as redes sociais possuem mecanismos de monitoramento e direcionamento do nosso comportamento.

Algumas das situações mostradas no documentário, só confirmaram uma suspeita que eu já tinha: a de que os robôs virtuais captam cada movimento nosso para estimular o consumo de produtos que tenham a ver com o nosso estilo de vida, ou até mesmo, mudar o nosso estilo de vida, nos influenciando, para atingir o interesse comercial. Mas o que me chamou mais atenção foi a intensidade com que isso acontece e o fato de não ser apenas para fins comerciais.

Sem querer praticar o 'spoiler' (mas já praticando), o documentário mostra exemplos de direcionamento eleitoral e até de correntes de pensamentos, mudando, literalmente, a personalidade e visão de mundo que as pessoas têm. Alguém, por curiosidade, faz uma busca sobre o que pensam aqueles que defendem, por exemplo, a ideia de que a Terra é plana. À medida com que se avança na pesquisa, a quantidade de anúncios que a pessoa passa a receber sobre o tema é enorme, e de repente, aquela corrente de pensamento já deixa de ser tão absurda assim em sua cabeça. Daqui a pouco, vira um defensor dessa ideia. Parece algo impossível, mas acredite, é bastante possível, e esse exemplo foi dado no documentário.

Mudando um pouco de 'spoiler' (prática de antecipar a história de um filme ou documentário), aproveito o momento para recomendar o filme 'Amor por contrato', que conta a história de uma rede de famílias fictícias contratadas por uma empresa de marketing para influenciar as pessoas em sua volta ao consumo de produtos das marcas contratadas por ela. O que parecia exagero em 2009, quando o filme foi lançado, hoje é mais do que realidade. É só pensar no que fazem os 'digital influencers' – nova profissão que foi criada a partir das redes sociais. O trabalho deles consiste em passar o dia compartilhando em suas redes sociais um estilo de vida compatível com determinados produtos, para então, recomendar produtos e lojas aos seus seguidores. É a parte humana da propaganda robotizada das redes.

Em tempos eleitorais como o que estamos, é necessário ter muito cuidado com o direcionamento dado nas redes para determinadas candidaturas. As redes sociais são ferramentas importantes de discussão e propagação de ideias, mas, assim como o que acontece com os anúncios, o direcionamento de pensamentos acontece, e é preciso ter personalidade para não fazer as escolhas erradas. Seja no voto, no consumo ou no que se acredita. Que estamos sendo monitorados e controlados, não resta a menor dúvida.

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