Assina logo o atestado

Foto: Divulgação

Falo sempre que, via de regra, a privatização de empresas públicas é um atestado de incompetência muito grande que o poder público assina. É como assumir que não tem a capacidade de gerir a empresa ou de combater práticas danosas à ela, como por exemplo, esquemas de corrupção.

Por outro lado, em alguns casos, o que nos resta é admitir essa possibilidade como uma solução para salvar a empresa. É o caso dos Correios. Há anos, o serviço prestado não corresponde a expectativa dos seus consumidores. Falo até, como um deles, que sou. Volta e meia preciso fazer compras on-line e sofro com os atrasos nas entregas das mercadorias, a ponto de preferir os serviços de outras transportadoras do que o da empresa pública, que é nossa e tem a maior cobertura para entregas no país. Há anos, fala-se que os Correios estão quebrados financeiramente, e levanta-se a possibilidade da privatização. Funcionários, eternamente insatisfeitos, sempre estão cobrando melhorias, e anualmente, entrando em greve. Colocando tudo isso no pacote, a gente chega à conclusão de que a empresa precisa de um ‘choque’ para funcionar corretamente.

Sobre a edição de 2020 da greve, essa semana, em sua coluna em vários jornais pelo Brasil, Cláudio Humberto, pontuou alguns itens exigidos pela categoria. Entre eles, estão a preservação de um ‘vale-peru’ anual de R$ 1.000,000, que, juntamente com outras regalias aos cem mil funcionários da empresa, custam 600 milhões de reais anuais a uma empresa estatal com folha salarial de R$ 12 bilhões, e que soma prejuízos de R$ 2,5 bilhões em 2020. Isso, sem contar os anos anteriores, de seguidos prejuízos. Mesmo assim, apoiados em suas estabilidades, muitos funcionários pensam primeiro em si e nos próprios benefícios, sem levar em conta a saúde financeira da empresa que garante os seus sustentos, tampouco o prejuízo que uma paralização nas atividades pode causar aos clientes, que nada têm a ver com essa briga.

Nessas horas, me questiono: Se a empresa fosse privada, teríamos tanto descaso? Concluo que não. Por parte dos funcionários, o enrijecimento nas negociações com a empresa não seria tão grande, pelo fato de não existir estabilidade, e por saberem que se a empresa quebra a ponto de chegar à falência, perderiam seus empregos. Por outro lado, quem estaria na gestão da empresa, também teria muito mais respeito aos Correios, pelo simples fato de que, se desse prejuízo, alguém (muitas vezes, o próprio gestor), tiraria dinheiro do bolso para pagar as contas. Ou dá certo, ou dá certo. É melhor privatizar e assinar logo esse grande atestado de incompetência.

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