Desse jeito, logo vai faltar

Foto: Marcos Serra Lima

Um estudo feito pelo Instituto Trata Brasil com a Ex Ante Consultoria, divulgado hoje pelo portal G1, concluiu que até 2040 o consumo de água no Brasil pode aumentar em quase 80%, devido a questões econômicas, demográficas e climáticas. O estudo tem como ponto de partida o ano de 2017, quando a necessidade de distribuição de água no país era de 10 bilhões de metros cúbicos, e projeta a marca de 17,6 bilhões de metros cúbicos de consumo em 2040.

 O que chama atenção desse estudo é que, quando os motivos para o aumento da demanda são esmiuçados, as duas maiores fatias responsáveis por esse aumento são o crescimento econômico e demográfico (4,3 bilhões m³ a mais de consumo, nesse período) e o desperdício (responsável por 2,7 bilhões m³ de crescimento no consumo, no mesmo período). Ou seja, a vasta maior parte do crescimento. São números absurdos, totalmente evitáveis e que se relacionam entre si.

No que diz respeito ao crescimento econômico e demográfico, estamos falando do crescimento natural da população, além da criação e abertura de novas indústrias e grandes empresas, que devem, naturalmente, consumir mais água, além do aumento na perda dessa água. E o desperdício é, o que a palavra, propriamente dita, significa. Nos dois casos, são crescimentos que, com a dose certa de consciência, podem ser minimizados.

Com a tecnologia em franco desenvolvimento no mundo inteiro, soluções tecnológicas que ajudam as empresas a utilizarem (ou até reutilizarem) os recursos hídricos de forma racional, surgem a todo o momento. Isso, além de ajudar o meio-ambiente e contribuir para a preservação de um recurso fundamental para a vida de todos, deve ajudar as próprias empresas e economizar, afinal, a escassez de água a torna cada vez mais cara, também.

Já em relação ao desperdício, tudo passa pela reeducação da população afim de utilizar apenas a quantidade necessária de água para o seu dia-a-dia. Falo reeducação porque, para chegarmos a números tão expressivos de água desperdiçada, fica evidente que a educação da população, historicamente, falhou nesse sentido.

De um jeito ou de outro, a mudança de mentalidade é a chave para evitarmos a falta d´água. E para quem pensa que o problema ainda não existe, lembro que em 2015, a cidade de São Paulo chegou a anunciar que estava próxima do dia zero de água, assim como já aconteceu em outras cidades do mundo (até mesmo da América Latina), que é quando a oferta de água na rede de distribuição para aquele dia é menor do que a necessidade da população. Ou seja, falta água porque, simplesmente, não tem para todo mundo. Felizmente, na época, as chuvas chegaram, os reservatórios encheram um pouco mais, e o problema foi contornado. Mas se continuarmos do jeito que estamos, inevitavelmente, esse dia chegará, e logo, faltará água.

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