Inimigos próximos

Foto: Divulgação

Os episódios mais recentes mostram o quanto o presidente Jair Bolsonaro trata os profissionais da imprensa como seus inimigos. No último domingo, ao ser questionado por um repórter sobre valores que teriam sido recebidos por sua esposa no 'caso Queiroz', o presidente disse 'queria encher a sua boca de porrada' ao profissional. Ontem, durante um discurso no Palácio do Planalto, no evento intitulado de 'Brasil vencendo a Covid-19', disse que se 'um bundão' da imprensa contrair o coronavírus, a chance de sobreviver é 'bem menor'.

Esses são apenas dois dos vários momentos em que o presidente trata os profissionais da imprensa de forma agressiva. Antes disso, muitos outros fatos parecidos já tinham sido registrados. É não gostar do tema do qual foi questionado, que ele, prontamente, responde rispidamente ao que é perguntando, até ofendendo os profissionais, como o que aconteceu nos dois casos citados. A justificativa dada pelo presidente é sempre de que a imprensa é má-intencionada em relação à ele. Entendemos que, pode haver um ou outro profissional, e um ou outro veículo, que tenha a intenção de prejudicar o presidente. Isso não é o que o jornalismo prega, mas existem profissionais bons e ruins. Mas o presidente, pelo tempo que tem na política, deveria estar acostumado com isso, e principalmente, ter muito mais habilidade de lidar com a situação. E não considero a pergunta feita no domingo como má-intencionada. É um fato que toda a população quer saber, e se tratando de dinheiro público, a pergunta deve ser sim, respondida pelo presidente.

A única forma de resolver tal desconforto toda vez que o presidente encontra a imprensa é profissionalizar mais a comunicação do Planalto. Um presidente que tem uma equipe profissional por trás, orientando sobre o que deve ser dito, o que deve ser evitado, e principalmente, o tom de suas respostas, tende a promover menos situações como essas, e com isso, ter a imagem menos desgastada. Mas pra isso, ele precisaria também ouvir as pessoas, o que ele parece não gostar muito. Assim como, também parece não ter a intenção de profissionalizar a comunicação no seu governo. Aí, fica difícil.


Compartilhe

Comentários