O BRASIL PERDEU

Foto: Divulgação

A semana começa muito, muito triste. Cem mil brasileiros sucumbiram ao covid 19. Até onde se sabe este é o número de mortos provocado pela pandemia. Difícil dimensionar o tamanho da tragédia. Vivemos a pior momento desde a chegada das caravelas de Cabral. Não se vislumbra no cenário a curto prazo, qualquer melhora, mesmo que surja uma vacina milagrosa que cure. E no mundo distópico que vive a entourage do palácio do Planalto, ao que parece as condutas saídas de lá também não mudarão tão cedo.

 

Alheios as mortes causadas pelo vírus da pandemia, as coisas continuam a seguir contrariando a boa política e o estado democrático de direito. Destaquei na última quarta-feira o relatório produzido no escuro do ministério da justiça para bisbilhotar os possíveis desafetos do governo federal, e que ganhou contornos cada vez mais enrolados. O André Mendonça, o ministro da justiça, a cada ato para explicar o que acontece na sua pasta, se complica cada vez mais. A ministra Carmem Lúcia concedeu prazo de 48 horas ao ministério para explicar o que se trata deste relatório que investiga grupos antifascistas. A sua resposta fantasiosa, desrespeitosa e carregado de tintas ensinando ao STF como agir, demonstra o estado de indigência que o primeiro escalão do governo federal atingiu.

 

Sem negar a existência do relatório, o que por si só é muito grave, disse o ministro no seu arrazoado ao responder o STF, que sua divulgação traria uma serie de complicações. Entre as maluquices ditas, está a de que exporia o Brasil a descrença internacional, perdas econômicas, incremento de dificuldade no ingresso na OCDE. Faltou dizer que também causa espinhela caída. Se é tão perigoso assim como diz, melhor ainda divulgar o que efetivamente está expondo o país a um risco tão alto.

 

Como se não bastasse estas razões espirocadas, achou por bem a dar lições ao STF de como atuar. O pior é que se há realmente relatório investigando pessoas, e não importa quem são os envolvidos, isto não é de conhecimento do MP e nem da justiça. E fica a pergunta: Quem autorizou?. Enfim, ao que parece existe um ente estatal que espiona pessoas ao arrepio das instituições, e o que é muito grave, da lei. As razões para este dossiê ou relatório não foram explicadas.

 

Espera-se que o a ministra Carmem Lúcia endureça e exija explicação imediata sobre estas investigações que ao que parece e repito, estão sendo feitas ao arrepio da lei. A imprensa em geral levanta a hipótese ela existe para investigar adversários do governo. Uma coisa ficou evidenciada neste imbróglio todo. O André Mendonça não tem condições mínimas para assumir uma das vagas da STF. Impressionante como ele é terrivelmente despreparado sob qualquer ângulo que se olhe. Sua capacidade técnica é extremamente ruim. Com este relatório secreto então, nem se fala.

 

Mas nem tudo está perdido. Quando olhamos os outros poderes, em especial o STF, vemos que ainda há salvação para o Brasil. Se bem que temos ministros que se portam como meros despachantes do MP. Mas tem outros que honram a toga. Na semana que passou o ministro Gilmar Mendes acatou o habeas corpus em favor do secretário do governo do estado de São Paulo. Não li a decisão que ordenou a sua prisão na integra. O que li foi trechos. Mas o que se comentou foi de que não havia elementos para a prisão provisória.

 

O que se noticiou na imprensa é aquela velha ladainha de que o Ministro Gilmar Mendes não deixa ninguém preso. Os que opinam, não leram a decisão do ministro, do juiz que mandou para a prisão e por ouvir dizer condenam o que sai do STF. Li a decisão do ministro e digo sem sombra de dúvida, foi acertadíssima. Os fatos ditos criminosos ocorreram no ano de 2014. Portanto não havia possibilidade da continuidade do fato delituoso. Segundo a prisão foi para ouvir o secretário, pois em nenhum momento foi oportunizado a ele a prestar sua versão. Não estou aqui para dizer se o mesmo é culpado ou inocente. Quem diz isto é o judiciário. Refiro-me como o processo é conduzido. Não faz sentido prender sob o argumento de ouvir o secretário, se o indiciado nunca foi chamado para prestar esclarecimento. Quem bate palma para este tipo de conduta, é bom ficar alerta. Um dia chega até você.

 

São estas situações que somadas com o descaso do governo federal no combate a pandemia que levam o nosso pais para o buraco. As autoridades que deveriam zelar pela boa governança, não importando os seus ocupantes, deveriam se esforçarem para construir os alicerces de uma república com instituições fortalecidas e tendo como norte os princípios estampados na constituição federal e na boa aplicação das leis. E não relegar ao exercício de suas atividades ao ativismo tosco, como se fossem os salvadores da pátria.

 

Vivemos o pior momento de nossa história. Temos um presidente da república que nega a gravidade da pandemia e propagandeia um medicamento que não é reconhecido pela comunidade científica e ainda tem jornalista que usa sua fama para alardear seus efeitos terapêuticos, e o pior, gente besta que acredita. Por outro, alguns membros do judiciário que se arvoram como paladinos da salvação nacional, e um que foi até ministro da justiça, compõe o caldeirão das personalidades que serão julgados em breve pelas gerações futuras.


O salutar disso tudo é que a resistência tem sido vigorosa contra essa gente, apesar deles insistirem ser contrários a lei e a ciência. Mas como já disse. Eles serão julgados e ficarão na lata do lixo da história. 

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